O declínio social financeiro já se faz sentir em cada talão de compras.
O sistema Volta foi apresentado como a salvação ecológica e a grande epopeia da reciclagem nacional.
O mecanismo de depósito e reembolso de garrafas de plástico e latas, revelou-se rapidamente naquilo que muitos cidadãos já desconfiavam.
Não tenho dúvidas que é um esquema de dinheiro, uma fonte de conflitos urbanos e uma fachada que protege os interesses da grande distribuição e da indústria agroalimentar.
Enquanto o consumidor comum enfrenta filas, acumula sacos em casa e vê o orçamento familiar com saldo zero com o acréscimo de cauções por embalagem, há uma engrenagem perversa a movimentar-se nos bastidores. Afinal, quem ganha e quem perde com este negócio?
A ilusão ecológica e o caos nas ruas
Desconfiei logo no arranque do programa, o que nos venderam como modernidade ambiental traduziu-se num autêntico pesadelo logístico. A falta de proximidade das máquinas, a recusa por parte do comércio local e o caos gerado nas ruas das cidades.
O fenómeno da recolha de lixo e contentores revirados por cidadãos em desespero por uns cêntimos, mostram o desfasamento entre a teoria de gabinete e a realidade urbana.
Os portugueses não se importam de trabalhar por 0.10€ para uma entidade que assim arrecada milhões.
Sob a capa de uma nobre transição verde, adensam-se as dúvidas sobre a legalidade e a equidade do processo. Milhões de euros em cauções não reclamadas por cidadãos que acabam por usar os ecopontos tradicionais ficam retidos no sistema, alimentandos cofres privados sem total transparência sobre o destino final desse excedente financeiro.
Quem manda na SDR Portugal?
Por trás da marca “Volta” está a SDR Portugal (Sociedade de Embaladores), uma associação formalmente sem fins lucrativos. No entanto, convém olhar para quem realmente comanda esta estrutura. A entidade é controlada de perto por um diretório composto pelos maiores grupos de hipermercados e superfícies comerciais a operar no país, lado a lado com os gigantes da produção de bebidas.
Entre os rostos empresariais e associativos que compõem o ecossistema de fundadores e impulsionadores destas estruturas de embalagem em Portugal, encontram-se habitualmente gigantes da distribuição como a Sonae MC (Modelo Continente), a Jerónimo Martins (Pingo Doce), o Auchan e o Intermarché, juntamente com pesos-pesados da indústria de bebidas (como a Super Bock Group, a Cervejas de Portugal e a Coca-Cola European Partners).
São os mesmos grupos que ditam os preços no mercado e que agora controlam o fluxo de centenas de milhões de euros em cauções geradas pelas dezenas de milhões de embalagens que entram no mercado anualmente.
Salários de luxo à conta do lixo do povo
Enquanto o cidadão comum é penalizado e as famílias tentam gerir as contas ao cêntimo, os administradores da estrutura e os arquitetos deste sistema milionário estão agradecidos a todos nós.
A gestão topo de gama da SDR Portugal é marcada por remunerações chorudas que geram enorme contraste com a realidade económica do país.
Abaixo encontra-se a representação estimada e reportada para os patamares de topo da administração executiva ligada à gestão do projeto:

É revoltante?
Estima-se que mais de 3 MILHÕES de euros em cauções não foram reclamadas, isto significa que esse valor vai ser encarado como lucro e partilhado pela cadeia de hipermercados e indústria de bebidas.
Porque compramos de plástico ou em lata e não de vidro?
Se a “máquina” não parar de ser alimentada ela nunca vai acabar.
O Sistema Volta, tal como está montado e gerido, é o retrato perfeito da ecopolítica cínica.
Em linguagem popular como tenho ouvido “é tudo a roubar”.


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