O “Sistema Volta”: salários de luxo com lixo do povo

O Sistema Volta, tal como está montado e gerido, é o retrato perfeito da ecopolítica cínica.

Comentários

2 min de leitura
Imagem criada com recurso à IA

O declínio social financeiro já se faz sentir em cada talão de compras.

O sistema Volta foi apresentado como a salvação ecológica e a grande epopeia da reciclagem nacional.

O mecanismo de depósito e reembolso de garrafas de plástico e latas, revelou-se rapidamente naquilo que muitos cidadãos já desconfiavam.

- Publicidade -

Não tenho dúvidas que é um esquema de dinheiro, uma fonte de conflitos urbanos e uma fachada que protege os interesses da grande distribuição e da indústria agroalimentar.

Enquanto o consumidor comum enfrenta filas, acumula sacos em casa e vê o orçamento familiar com saldo zero com o acréscimo de cauções por embalagem, há uma engrenagem perversa a movimentar-se nos bastidores. Afinal, quem ganha e quem perde com este negócio?

A ilusão ecológica e o caos nas ruas

Desconfiei logo no arranque do programa, o que nos venderam como modernidade ambiental traduziu-se num autêntico pesadelo logístico. A falta de proximidade das máquinas, a recusa por parte do comércio local e o caos gerado nas ruas das cidades.

O fenómeno da recolha de lixo e contentores revirados por cidadãos em desespero por uns cêntimos, mostram o desfasamento entre a teoria de gabinete e a realidade urbana.

Os portugueses não se importam de trabalhar por 0.10€  para uma entidade que assim arrecada milhões.

Sob a capa de uma nobre transição verde, adensam-se as dúvidas sobre a legalidade e a equidade do processo. Milhões de euros em cauções não reclamadas por cidadãos que acabam por usar os ecopontos tradicionais ficam retidos no sistema, alimentandos cofres privados sem total transparência sobre o destino final desse excedente financeiro.

Quem manda na SDR Portugal?

Por trás da marca “Volta” está a SDR Portugal (Sociedade de Embaladores), uma associação formalmente sem fins lucrativos. No entanto, convém olhar para quem realmente comanda esta estrutura. A entidade é controlada de perto por um diretório composto pelos maiores grupos de hipermercados e superfícies comerciais a operar no país, lado a lado com os gigantes da produção de bebidas.

Entre os rostos empresariais e associativos que compõem o ecossistema de fundadores e impulsionadores destas estruturas de embalagem em Portugal, encontram-se habitualmente gigantes da distribuição como a Sonae MC (Modelo Continente), a Jerónimo Martins (Pingo Doce), o Auchan e o Intermarché, juntamente com pesos-pesados da indústria de bebidas (como a Super Bock Group, a Cervejas de Portugal e a Coca-Cola European Partners).

São os mesmos grupos que ditam os preços no mercado e que agora controlam o fluxo de centenas de milhões de euros em cauções geradas pelas dezenas de milhões de embalagens que entram no mercado anualmente.

Salários de luxo à conta do lixo do povo

Enquanto o cidadão comum é penalizado e as famílias tentam gerir as contas ao cêntimo, os administradores da estrutura e os arquitetos deste sistema milionário estão agradecidos a todos nós.

A gestão topo de gama da SDR Portugal é marcada por remunerações chorudas que geram enorme contraste com a realidade económica do país.

Abaixo encontra-se a representação estimada e reportada para os patamares de topo da administração executiva ligada à gestão do projeto:

É revoltante?

Estima-se que mais de 3 MILHÕES de euros em cauções não foram reclamadas, isto significa que esse valor vai ser encarado como  lucro e partilhado pela cadeia de hipermercados e indústria de bebidas.

Porque compramos de plástico ou em lata e não de vidro?

Se a “máquina” não parar de ser alimentada ela nunca vai acabar.

O Sistema Volta, tal como está montado e gerido, é o retrato perfeito da ecopolítica cínica.

Em linguagem popular como tenho ouvido “é tudo a roubar”.

Comentários

Notícia anterior

Patrícia Silva vence concurso de fado amador

Notícia seguinte

Famalicão recebe antestreia nacional de “Memórias do Cárcere”

- Publicidade -
O conteúdo de Notícias de Famalicão está protegido.