Vila Nova de Famalicão é, entre os municípios do Norte com mais de 100 mil habitantes, o que regista a maior percentagem de água não faturada: 36,5%, segundo o Relatório Anual dos Serviços de Águas e Resíduos em Portugal 2025, da Entidade Reguladora dos Serviços de Água e Resíduos (ERSAR). Os dados reportam a 2024.
Este valor traduz água captada, tratada e distribuída pelo sistema municipal que depois não é faturada aos utilizadores. Entre os grandes municípios do Norte, os valores são bastante inferiores: Braga (13,9%), Barcelos (9,8%), Gondomar (13,8%), Maia (17,4%), Matosinhos (9,1%), Valongo (12%), Vila Nova de Gaia (19,4%) e Santa Maria da Feira (15%). Guimarães surge em 25,2%. No distrito de Braga, a situação de Vila Nova de Famalicão aproxima-se da de Vieira do Minho, concelho de baixa densidade onde este indicador é também elevado.
O NOTÍCIAS DE FAMALICÃO enviou perguntas à Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão a 3 de agosto, questionando o impacto financeiro para o município e a existência de um plano de investimento na renovação da rede em baixa, incluindo montante, fontes de financiamento e calendário. A resposta chegou mais de um mês depois, a 7 de setembro.
Na resposta, o município começa por contestar a formulação da pergunta, esclarecendo que o relatório da ERSAR não fala em “perdas de água” mas sim em água não faturada – um indicador mais amplo. Segundo a Câmara, este inclui as perdas reais (fugas e extravasamentos), as perdas aparentes (erros de medição, furto ou uso ilícito) e ainda consumos autorizados mas não faturados, como rega de espaços verdes municipais, lavagem de ruas, alimentação de fontanários, lavagem de condutas e coletores, ou combate a incêndios. Por isso, sublinha a autarquia, a percentagem de 36,5% não corresponde apenas a perdas reais de água.
A autarquia não respondeu diretamente à pergunta sobre o impacto financeiro estimado das perdas.
Câmara aponta redução e plano em preparação
Quanto ao investimento na rede, a Câmara não apresentou um plano municipal já aprovado, com montante e calendário definidos, como foi perguntado. Segundo a resposta, está “a trabalhar na definição de um plano de ação” para reduzir a água não faturada, com objetivos a fixar e a monitorizar, visando ficar abaixo dos 20% em 2029.
O município refere ainda que o volume de água não faturada terá diminuído cerca de 11% entre 2023 e 2024, que a tarifa de disponibilidade e os primeiro e segundo escalões – onde se enquadra o consumo doméstico normal – não sofrem agravamento desde 2021, e que os investimentos na qualidade do serviço têm sido financiados por ganhos de eficiência, sem repercussão nas tarifas às famílias. Entre as medidas em curso são mencionadas a gestão de pressões na rede, a reparação de roturas, a pesquisa de fugas invisíveis, a substituição de troços de conduta com roturas recorrentes, a substituição de contadores envelhecidos e a fiscalização de situações ilícitas.
Não existe, segundo a informação disponível, um plano municipal de investimento já aprovado especificamente para a remodelação e manutenção da rede em baixa, com valores e prazos definidos.
Os dados de todos os municípios do país, recolhidos pela ERSAR, podem ser consultados na plataforma do jornal “Expresso”.


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