As doenças cardiovasculares continuam a representar uma das principais causas de morte prematura em Portugal. A preocupação aumenta perante a ocorrência de AVC, enfartes e episódios de morte súbita em pessoas cada vez mais jovens, muitos deles associados a fatores de risco que podem ser identificados e controlados.
Perante este cenário, a Sociedade Portuguesa de Cardiologia (SPC) defende o reforço da prevenção e propõe a implementação de um rastreio regular dos principais fatores de risco cardiovascular a partir dos 35 anos. A avaliação deverá incluir três indicadores essenciais: pressão arterial, glicemia e colesterol, preferencialmente nos centros de saúde.
A aposta é simples: identificar precocemente problemas que muitas vezes evoluem sem sintomas e atuar antes de surgir um acontecimento grave. Hipertensão, diabetes, colesterol elevado, excesso de peso, tabagismo, sedentarismo e alimentação inadequada estão entre os principais fatores que aumentam o risco cardiovascular.
Os dados oficiais mostram, contudo, uma realidade que merece ser contextualizada. Portugal tem registado uma evolução favorável na mortalidade por doenças do aparelho circulatório. Segundo informação divulgada em fevereiro de 2026, a proporção de mortes atribuíveis a estas doenças atingiu, em 2023, o valor mais baixo dos últimos 30 anos. A Direção-Geral da Saúde salienta igualmente que os indicadores de mortalidade cerebrovascular e cardiovascular estão atualmente iguais ou abaixo da média europeia. A melhoria não significa, porém, que o problema esteja resolvido. Pelo contrário, a prevenção continua a ser determinante, sobretudo porque uma parte importante dos fatores de risco é modificável.
A SPC alerta ainda que cerca de 80% das mortes cardiovasculares prematuras poderiam ser evitadas, reforçando a importância de uma prevenção mais sistemática.
A alimentação, a prática regular de atividade física, a redução ou eliminação do tabaco, o controlo do peso e o consumo moderado de álcool são medidas que podem contribuir para diminuir o risco cardiovascular. A estes fatores junta-se a importância de controlar regularmente a tensão arterial, o colesterol e a glicemia.
Num contexto em que a doença cardiovascular pode atingir pessoas aparentemente saudáveis e em idade ativa, conhecer os próprios fatores de risco pode ser determinante.
Um dos maiores problemas das doenças cardiovasculares é precisamente o seu caráter silencioso. Uma pessoa pode sentir-se saudável e, simultaneamente, apresentar hipertensão, colesterol elevado ou alterações da glicemia sem saber.
É por isso que a prevenção não deve começar quando aparece a dor no peito, a falta de ar ou outro sinal de alarme. Deve começar muito antes.
A proposta da Sociedade Portuguesa de Cardiologia aponta nesse sentido, levar o rastreio para os cuidados de saúde primários e criar uma oportunidade regular para avaliar o risco cardiovascular da população adulta.
Prevenir antes do primeiro AVC ou enfarte é, cada vez mais, uma questão de saúde pública.


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