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Sexta-feira, 27 Maio 2022

“White House Down”

A memória das pessoas é muito curta, esse é o grande problema.

3 min de leitura
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Mariana Dewasmes
Tem 19 anos, é aluna de Gestão na Universidade do Minho e apaixonada por maquilhagem, música e pela ideia de que este mundo possa vir a ser melhor.

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Para hoje, tinha pensado escrever sobre um tema mais leve do que aquilo que tenho escrito. E eis que o povo americano faz mais uma das dele. Ligo a televisão para ver as notícias e deparo-me com imagens que me fazem pensar no filme “White House Down”.

Considero, portanto, pertinente deixar uma pequena reflexão relativamente a este assunto. Não porque ninguém o tenha feito, mas porque, apesar de (felizmente) não lá estar, foi algo que me deixou, de certa forma, de queixo caído. E digo “de certa forma” visto que, neste momento, já não tenho expectativas (nada) elevadas para o que possa vir a acontecer por lá.

Bem, para quem não acompanhou o que aconteceu, vou prosseguir com um breve resumo. Dia 6 de janeiro de 2021 (faz hoje 3 dias), aquando da cerimónia de certificação dos votos do Colégio Eleitoral, isto é, a cerimónia que carimba a eleição de um novo presidente nos EUA, partidários republicanos invadiram e vandalizaram o edifício do Capitólio, interrompendo a mesma.

Tudo isto desencadeado pelas repetidas e infundadas alegações de Trump de que a eleição presidencial Norte Americana teria sido alvo de fraude, algo que não foi provado em mais de 60 processos nos tribunais, desde novembro.

Também se sabe que, quando começou o motim, Trump publicou um vídeo nas redes sociais. Assim, apesar de aparentemente apelar à dissolução da insurreição, ao insistir novamente na narrativa de fraude no sistema eleitoral, incitou ainda mais à violência.

Para quem não entendeu como é que este vídeo poderá ter contribuído para o agravamento do cenário que já decorria tenho duas palavras: psicologia reversa. E por isto, o Instagram, o Facebook, o Twitter e o Snapchat bloquearam a sua conta, facto que, a meu ver, reforça a gravidade da situação.

Este acontecimento foi algo que me deixou bastante irrequieta e fez-me pensar. Aquilo pode ser o nosso futuro e o de tantos outros países. A extrema direita está a ganhar força. Não só nos EUA. É uma corrente que aos poucos se anda a alastrar. E dizem-me: “Não te preocupes, que aqui em Portugal somos demasiado moderados para permitir uma coisa dessas”.

Esta frase e derivadas da mesma deixam-me ainda mais preocupada. Porque a verdade é que não se pode contar com isso da moderação, que apoiantes não é o que falta por aí e estão todos a perder o medo e a avançar e, aos poucos e poucos, vão ganhando terreno. E quando nos dermos conta da sua dimensão, pode ser tarde demais.

Sabemos perfeitamente que a extrema direita tomar conta do mundo não é de todo um cenário impossível, visto que aconteceu há menos de 100 anos, o que é bastante recente em termos de história.

E mesmo assim parece que andamos de olhos fechados quando existem sinais evidentes à nossa frente. Simplesmente deixamos acontecer. E chamam-me de radical. E com toda a força concordo.

Mas concordo, na medida em que, a partir do momento em que são postos em causa os direitos humanos, não considero haver espaço para desculpar ou relativizar. Lamento, mas não é uma questão de respeitar opiniões.

Somos humanos, logo temos todos direito a esses direitos, sejamos pobres, ricos, altos, baixos, caucasianos, afrodescendentes, asiáticos ou tendo outra característica qualquer. Exatamente como esclarece a própria designação.

Dito isto, termino com o que retiro de toda esta reflexão. A memória das pessoas é muito curta, esse é o grande problema.

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Mariana Dewasmes
Tem 19 anos, é aluna de Gestão na Universidade do Minho e apaixonada por maquilhagem, música e pela ideia de que este mundo possa vir a ser melhor.