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Vila Nova de Famalicão
Segunda-feira, 4 Julho 2022
Luís Paulo Rodrigueshttps://www.luispaulorodrigues.com
Cofundador dos jornais “Cidade Hoje” e “Opinião Pública”. Jornalista de títulos nacionais como “Público”, “O Comércio do Porto” e “Gazeta dos Desportos”. Autor do livro “Comunicação – Riscos e Oportunidades”. É consultor de comunicação e cofundador do projeto NOTÍCIAS DE FAMALICÃO.

De Jorge Moreira da Silva às obras de Famalicão e da Ucrânia ao Belenenses

Jorge Moreira da Silva deixou o seu lugar dourado na OCDE, onde poderia continuar até 2025, a troco de uma candidatura à presidência de um partido político em crise, que tem pela frente, pelo menos, quatro anos de oposição.

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Luís Paulo Rodrigueshttps://www.luispaulorodrigues.com
Cofundador dos jornais “Cidade Hoje” e “Opinião Pública”. Jornalista de títulos nacionais como “Público”, “O Comércio do Porto” e “Gazeta dos Desportos”. Autor do livro “Comunicação – Riscos e Oportunidades”. É consultor de comunicação e cofundador do projeto NOTÍCIAS DE FAMALICÃO.

Famalicão

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O DESAFIO DE JORGE MOREIRA DA SILVA

O desafio que o famalicense Jorge Moreira da Silva tem pela frente é brutal. Travar o declínio do PSD, manter a sua matriz social-democrata e transformar o partido num movimento de causas atuais e de interesse comum na sociedade portuguesa é o propósito da sua candidatura à sucessão de Rui Rio.

Não sei se o chamado PSD profundo – em especial aquele que decide votar num determinado candidato porque o “chefe” manda – está aberto e preparado para este futuro verdadeiramente novo que Moreira da Silva propõe colocar em prática, num partido que, depois de duas maiorias absolutas de Cavaco Silva, entre as décadas de oitenta e noventa do século passado, nunca mais se preparou devidamente para governar Portugal.

A verdade é que o PSD parou no tempo e, nos últimos anos, deixou de atrair pessoas que lhe acrescentassem valor e ficou sem capacidade de reação à emergência de novos partidos políticos à direita. Pior do que isso, ficou sem saber o que fazer politicamente perante as rápidas transformações culturais e sociais deste século XXI.

Curiosamente, mais do que um currículo político de excelência e “com resultados”, como gosta de sublinhar, e mais do que as ideias que defende com brilhantismo e sabedoria, Jorge Moreira da Silva apresenta um trunfo eleitoral que mais nenhum político português pode exibir.

Ao contrário de outros, Jorge Moreira da Silva deixou o seu lugar dourado e prestigiante na OCDE, onde poderia continuar até 2025, a troco de uma candidatura à presidência de um partido político ancilosado, que tem pela frente, pelo menos, quatro anos de oposição. Tendo o conforto daquilo que era certo e que lhe aumentava a reputação internacional, Moreira da Silva preferiu apostar tudo no seu partido do coração, para tentar rumar à conquista do país.

Depois de ter sido autarca, na Assembleia Municipal de Vila Nova de Famalicão, professor universitário, presidente nacional da Juventude Social Democrata, dirigente partidário no PSD, eurodeputado, assessor do Presidente Cavaco Silva, secretário de Estado e ministro, além de ter exercido outras atividades, este desprendimento corajoso e esta disponibilidade genuína de Jorge Moreira da Silva não têm preço e não podem ser desperdiçados.

Conheço o Jorge desde o tempo em que, nos bancos da Escola Secundária D. Sancho I, em Vila Nova de Famalicão, já lá vão mais de 30 anos, enquanto um dos líderes da associação de estudantes, se envolveu numa “luta de cidadania” contra a poluição ambiental a Metalúrgica Cegonheira, uma fábrica vizinha do estabelecimento de ensino então em laboração.

Recentemente, um amigo do mundo da comunicação dizia-me que Jorge Moreira da Silva poderá vencer as eleições para a liderança do PSD, mas que isso dependerá das suas companhias nesta campanha.

Reconheço que Moreira da Silva terá muitas dificuldades para vencer na sua terra, dado não ter o apoio do presidente do PSD-Famalicão, nem do presidente da Câmara. Mas isso não quer dizer nada, uma vez que, já há muitos anos, os militantes do PSD-Famalicão andam de passo trocado em relação à liderança nacional que ganha as eleições no partido.

Em todo o caso, não tenho dúvidas: uma eventual vitória de Jorge Moreira da Silva sobre Luís Montenegro, o seu adversário na corrida à presidência do PSD, seria uma enorme lufada de ar fresco no ainda maior partido da oposição e na política portuguesa.

Vamos esperar para ver qual será a escolha dos militantes do PSD no próximo dia 28 de maio.

AS OBRAS DE S. TORCATO EM FAMALICÃO

As obras de São Torcato mudaram-se para o centro de Vila Nova de Famalicão. Gastam os milhões a construir e a destruir sabe-se lá o quê, pois ninguém dá explicações sobre os erros de arquitetura ou engenharia. Na Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão reina a opacidade. As derrapagens financeiras são aprovadas, os prazos das empreitadas são dilatados, os responsáveis pelas asneiras não são demitidos e fica tudo legalizado.

O FIM DE JOÃO RENDEIRO

O fim trágico de João Rendeiro, numa prisão da África do Sul, demonstra que a ganância pelo dinheiro é destruidora.

A MÚSICA DA UCRÂNIA

A Ucrânia venceu o Festival Eurovisão da canção à custa do voto popular dos telespectadores europeus. Um voto político, portanto. O que significa que o povo da Europa ocidental está com Zelensky e com o povo ucraniano.

No próximo ano, o festival poderá acontecer na Ucrânia, e logo na cidade de Mariupol, que a Rússia destruiu. Pelo menos é essa a vontade do presidente ucraniano. Mas para que o desejo se torne realidade é preciso remover Putin quanto antes.

Ainda sobre o Eurofestival, o nono lugar de Portugal, com a canção “Saudade, Saudade”, escrita e interpretada pela cantora Maro, foi um resultado muito honroso, tanto mais que recebeu uma das maiores pontuações de sempre.

UMA ANORMALIDADE NA LIGA DE FUTEBOL

Para além do oitavo lugar do Futebol Clube de Famalicão – a segunda melhor classificação de sempre –, o melhor do principal campeonato português de futebol 2021-2022 foi a descida à II Liga dessa anormalidade chamada “B SAD”. Sem campo de futebol, sem associados e apenas com a ganância dos seus administradores, a existência do “B SAD” foi usurpada ao mítico Clube de Futebol Os Belenenses, sob a liderança de um “boy” inventado por José Sócrates, que o colocara na extinta Portugal Telecom, dando-lhe asas para os negócios.

Essa coisa chamada “B SAD” tem existido com a complacência das autoridades judiciais, da Federação Portuguesa de Futebol, da Liga Portuguesa de futebol e, certamente, da legislação que regula as sociedades anónimas desportivas.

Que a sua descida de divisão faça desaparecer essa anormalidade do futebol português e que o que aconteceu ao Clube de Futebol “Os Belenenses” (que, felizmente, já iniciou o caminho de regresso à I Liga Portuguesa) sirva de exemplo para outros clubes desportivos portugueses, que devem acautelar-se face a eventuais artimanhas de espertalhões e malabaristas de ocasião sedentos dos milhões fáceis que uma SAD pode dar a ganhar.

Sugestões e comentários: lpr@luispaulorodrigues.com

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