A Lista A – “A luta continua” venceu as eleições internas da Humanamente para o mandato 2026–2028, com 76,92% dos votos, garantindo a reeleição de Diogo Barros como porta-voz do movimento. Os órgãos eleitos tomaram posse quinta-feira, 2 de janeiro, iniciando um mandato de dois anos que combina renovação da direção com “um posicionamento político assumidamente combativo”.
A moção vencedora reafirma a Humanamente como “um movimento de defesa ativa dos direitos humanos, da justiça social e da igualdade, num contexto que o movimento classifica como de retrocesso político e social, marcado pela ofensiva da direita ultraliberal e pelo crescimento da extrema-direita em Portugal”.
Em declarações após a tomada de posse, Diogo Barros assumiu, sem reservas, “as fragilidades recentes do movimento”, mas deixou um discurso firme quanto ao rumo político do novo mandato.
“Não escondemos que houve dificuldades, falhas e momentos de menor mobilização. Reconhecê-lo é um dever político. Mas também é verdade que nunca deixámos de estar onde era preciso estar: na rua, na denúncia, na resistência. A Humanamente não se desmobilizou — resistiu”, afirma.
O porta-voz foi particularmente crítico em relação às políticas do atual Governo, denunciando o que considera ser uma ofensiva contra os direitos laborais e o Estado social: “O pacote laboral que este Governo quer impor é um ataque direto a quem trabalha. Mais precariedade, menos direitos, mais poder para quem explora. Não aceitamos que, em nome do lucro e da competitividade, se normalize a insegurança e o empobrecimento de milhares de pessoas. A Humanamente estará na linha da frente contra este retrocesso.”
Diogo Barros deixou ainda críticas duras à direita e à extrema-direita, alertando para a normalização de discursos de ódio e políticas excludentes: “A direita ultraliberal e a extrema-direita querem empurrar o país para trás: menos direitos, menos serviços públicos, mais desigualdade e mais ódio. Não vamos aceitar que conquistas históricas, quer seja na escola pública, na saúde, nos direitos das pessoas LGBTQIAP+, das mulheres ou das comunidades racializadas, sejam colocadas em causa.”
No plano local, o Porta-voz apontou diretamente ao executivo de Vila Nova de Famalicão, liderado por Mário Passos, acusando-o de inação e falta de coragem política para reunir com o movimento. “Em Famalicão, Mário Passos continua a falhar na resposta à crise da habitação, na promoção de políticas inclusivas e no combate à discriminação. Não basta discurso institucional: é preciso ação concreta. E enquanto essa ação não existir, a Humanamente continuará a denunciar e a pressionar”, destaca Diogo Barros
Dirigindo-se também a Alberto Costa e Vitor Hugo Salgado, presidentes da Câmara Municipal de Santo Tirso e Vizela, Diogo Barros deixou um aviso claro quanto ao papel fiscalizador do movimento: “Em Santo Tirso, em Famalicão, em Vizela ou em qualquer ponto do país, deixamos um aviso claro: a Humanamente estará atenta. Seremos um movimento fiscalizador, incómodo e exigente. Onde houver recuos, injustiças ou silêncios cúmplices, estaremos lá para os denunciar.”
A habitação foi apontada como uma das prioridades centrais do novo mandato, com críticas à falta de respostas estruturais por parte do poder político. Para Diogo Barros, “a crise da habitação não é um acidente, é uma escolha política. Enquanto se protegem interesses imobiliários e fundos, milhares de pessoas não conseguem pagar renda ou ter uma casa digna. Isto é inaceitável numa democracia.” – acrescenta o ativista e político.
O porta-voz sublinhou ainda a defesa intransigente dos serviços públicos, em particular da escola pública e do Serviço Nacional de Saúde: “Assistimos a um desinvestimento consciente na escola pública e no SNS, empurrando quem pode para o privado e abandonando quem não pode. Isto não é modernização, é desigualdade institucionalizada.”
A nova Direção integra, além de Diogo Barros, Beatriz Moura (vice porta-voz) e Inês Fontão (tesouraria), Pedro Silva, fundador e dirigente do movimento cívico Sintra Friendly, reforçando a estrutura com ativistas reconhecidos e experiência territorial. Completam então a Direção Robbie e Pedro Silva, consolidando uma equipa politicamente plural e interventiva.
As eleições marcam também uma mudança histórica na estrutura interna do movimento, com Lara Fernandes, membro cofundadora da Humanamente, a assumir a presidência da mesa da assembleia geral.
“A Humanamente precisa de estruturas fortes para enfrentar tempos difíceis”, afirmou Lara Fernandes, destacando que assume este papel “para garantir democracia interna, transparência e coerência política, num momento em que a luta pelos direitos humanos exige firmeza e organização.”
O novo mandato assume ainda o compromisso de concluir a transição da Humanamente para associação, reforçando a sua capacidade de intervenção e sustentabilidade. Sob o lema “A luta continua”, a Humanamente inicia um novo ciclo político, assumindo-se como “um movimento atento, combativo e presente, na rua, no espaço público e junto das populações, contra os retrocessos sociais e em defesa de uma sociedade mais justa, solidária e verdadeiramente democrática”.


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