Presidente independente

Não tenho nada contra presidentes independentes, pessoas que pela sua competência se afirmam na sociedade, mas não é o caso de Mário Passos, que não tem histórico relevante fora da política.

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Já tinha o título deste texto escolhido há uma semana, mas a cada dia que passa se torna mais pertinente.

Nas últimas semanas, começou a surgir a possibilidade termos uma candidatura independente em 2029. Confrontado com essa possibilidade cheguei a dizer em tom de gargalhada que a existir candidatura independente seria de Mário Passos! Algo que parece a cada dia mais provável e que promete transformar as Autárquicas 2029 na eleição mais louca de sempre em Famalicão.

Presidente escolhido por Paulo Cunha

Mário Passos foi o escolhido de Paulo Cunha em 2021 para seguir o seu trabalho. Desde então, a coligação Mais Ação Mais Famalicão perdeu dois vereadores e está a caminho de perder a maioria absoluta nas próximas autárquicas, ficando mesmo a dúvida se a mesma não deixou de existir na semana passada.

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A escolha mostrou-se claramente contra a tendência habitual da coligação PSD-CDS em Famalicão, visto que, ao contrário do sucedido nas anteriores trocas de presidente, a votação da coligação desceu em 2021 e 2025.

Armindo Costa e Paulo Cunha cresceram, respetivamente, 8 e 9 pontos percentuais ao fim de quatro anos de mandato, já Mário Passos desceu 3 pontos percentuais e, 24 anos depois, colocou a coligação abaixo dos 50%.

Se olharmos para a Assembleia Municipal do nosso concelho, vemos que atualmente o PSD tem uns tantos deputados como o PS (fruto de um claro exagero da proporção do CDS que com 6 deputados tem 15% dos eleitos diretos para a AM) e a coligação PSD-CDS tem o mesmo número deputados que toda a oposição,  algo que não sucedia há muito tempo.

De 2021 para 2025, e mesmo com um aumento de 5 deputados municipais fruto da desagregação de freguesias, a Coligação PSD-CDS manteve os 20 eleitos (PSD – 14 e CDS 6), tendo o PS crescido 1 deputado (essencialmente pelo aproveitar da perda de votos de BE, PAN e CDU), o Chega cresceu 3 deputados e a IL elegeu o seu primeiro deputado, tendo a CDU mantido o eleito por menos de 200 votos.

O afrontar da comunicação social local

Nestes 5 anos de Mário Passos, uma das grandes perdas para a coligação foi o apoio de grande parte da comunicação social como parceiros estratégicos, algo que se agravou com a criação do jornal EFE,  um verdadeiro ponto de viragem em que os meios de comunicação perceberam que estavam a ser substituídos por mecanismos municipais.

Este facto faz com que qualquer erro da coligação fique muito mais visível para os famalicenses, algo que era pouco tratado há 2-3 anos vira capa nos jornais nos dias de hoje! Mário Passos conseguiu o feito de colocar a comunicação social local muito mais próxima do papel que deve desempenhar numa democracia saudável (lá está nem todos os efeitos da sua inabilidade política são maus).

Uma lição para o PSD-Famalicão

Por último, mas com certeza não menos importante, Mário Passos perdeu o partido, após anos de distanciamento com os líderes da sua concelhia, decidiu afrontar diretamente as decisões que ela produziu.

A falta de habilidade política para lidar com a proposta do PS (que todos percebemos que tinha uma rasteira) colocou o presidente Mário Passos como o verdadeiro independente, ficando por saber se conseguirá voltar a reunir o apoio de todos os que têm muito a perder com o fim da política do maior orçamento de sempre e da duplicação de chefias!

Não tenho nada contra presidentes independentes, pessoas que pela sua competência se afirmam na sociedade e a partir daí chegam a dirigir uma autarquia, mas não é o caso de Mário Passos,  que cresceu dentro do partido, não tem histórico relevante fora da política,  fez o caminho de Assessor até Presidente e agora renega o prato em que comeu.

É também uma lição para o PSD que há um ano sabia que Mário Passos era um problema e não teve coragem de o substituir como candidato, preferiu empurrar com a barriga, demonstrou falta de coragem de renovar e agora terá de apanhar os cacos desta trapalhada…

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