Líder do PSD destaca “importância e relevância” de Armindo Costa para o partido e para Famalicão

A recusa de Mário Passos em levar a proposta de homenagem à apreciação dos vereadores vai ser discutida na comissão política dos partidos que sustentam a maioria municipal.

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A proposta para atribuir o nome de Armindo Costa ao Parque da Devesa e de Agostinho Fernandes à Casa das Artes – que não foi incluída na agenda da reunião do executivo municipal desta quinta-feira, 11 de junho – vai dominar a próxima reunião da comissão política do PSD de Vila Nova de Famalicão [ver notícia PS propõe homenagem a Agostinho Fernandes e Armindo Costa].

Após a decisão do presidente da Câmara, Mário Passos (PSD), de não agendar a proposta para homenagear os dois antigos autarcas, a liderança da concelhia social-democrata sublinha o peso histórico de Armindo Costa, o homem que, em 2001, fundou a hegemonia que mantém a coligação PSD-CDS no poder até hoje.

Contactado pelo NOTÍCIAS DE FAMALICÃO, o presidente do PSD-Famalicão, Paulo Reis, assumiu ter sido apanhado de surpresa pelo rumo institucional do documento – “não sabia até agora que a proposta de homenagem não foi agendada, estou a saber por si” –, mas não deixou margem para dúvidas quanto ao valor político da figura de Armindo Costa para os sociais-democratas.

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“O arquiteto Armindo Costa foi nosso presidente de Câmara, foi o primeiro presidente de Câmara deste ciclo da coligação PSD-CDS. Com a sua eleição, a coligação conquistou a presidência da Câmara e mantém até hoje”, recordou Paulo Reis, evidenciando que a atual governação liderada por Mário Passos é herdeira direta da viragem política ocorrida em 2001 e do trabalho autárquico realizado a partir dessa altura.

Dada a carga simbólica para o partido, o líder da concelhia garante que o assunto será tratado como prioridade máxima: “Na próxima terça-feira será a nossa reunião de comissão política quinzenal e, com certeza, este tema, sendo da importância e da relevância que tem para o concelho e para o partido, será abordado nessa reunião.”

Paulo Reis confirmou ainda que o atual edil, Mário Passos, estará presente no encontro. “O presidente de Câmara tem assento por inerência nessa reunião e estará lá, obviamente”, rematou, sublinhando a importância da proposta para esta homenagem a um dos rostos mais importantes da história do PSD local.

Refira-se que a reunião da comissão política do PSD-Famalicão terá lugar na próxima terça-feira, uma vez que hoje, terça-feira, realiza-se a assembleia distrital de Braga.

Também o CDS-PP, parceiro de coligação do PSD, tem uma palavra a dizer sobre o assunto. Contactado pelo NOTÍCIAS DE FAMALICÃO sobre o não agendamento da proposta, Hélder Pereira, líder do CDS-PP e vereador na Câmara Municipal, remeteu a posição oficial dos centristas para após a reunião da comissão política do partido, agendada para a noite desta quinta-feira.

O Partido Socialista, autor da proposta, já reagiu. Em declarações ao NOTÍCIAS DE FAMALICÃO, Eduardo Oliveira,  vereador e líder do PS-Famalicão, sublinhou que a proposta é, “acima de tudo, o reconhecimento de duas pessoas que são responsáveis pelo crescimento e desenvolvimento de Famalicão” [ver notícia Mário Passos bloqueia proposta do PS para homenagear Agostinho Fernandes e Armindo Costa].

Também questionado pelo NOTÍCIAS DE FAMALICÃO, o presidente da Câmara, Mário Passos, não prestou qualquer esclarecimento imediato. A sua assessoria de imprensa remeteu a resposta para quinta-feira, 11 de junho: “Remetemos qualquer explicação/declaração sobre o assunto para o final da reunião de Câmara desta quinta-feira.”

Com a recusa do presidente da Câmara de levar a proposta com o intuito de homenagear os dois antigos autarcas famalicenses à apreciação dos vereadores, acabou por transferir o palco do debate do salão nobre da Câmara para os bastidores das forças políticas que sustentam a maioria municipal.

É agora na estrutura do PSD que se jogará o futuro do reconhecimento público ao homem que venceu as eleições em 2001, 2005 e 2009 e colocou a coligação PSD-CDS no mapa do poder político em Famalicão, onde mantém-se até hoje.

COM MÁRIO PASSOS, COLIGAÇÃO PERDE VEREADORES

Este imbróglio acontece num momento delicado para a coligação PSD-CDS, que está depois de sucessivos avanços eleitorais após de mais de 20 anos de poder socialista (1983-2001), está a regredir no número de eleitos para o executivo municipal.

Armindo Costa (2002-2013) teve três mandatos com maioria. Assumiu a presidência em janeiro de 2002 com 35.284 votos (46.82%) mais que Partido Socialista e Movimento Agostinho Fernandes juntos. Depois de um primeiro mandato com 6 vereadores, seguiram-se mais dois mandatos com 7 vereadores (54,95% em 2005 e 55,94% em 2009). Foi sucedido por Paulo Cunha (2014-2021), que também aumentou a votação em cada eleição (58,55% em 2013 e 67,67% em 2017).

O terceiro candidato da coligação PSD-CDS foi Mário Passos, atual presidente da autarquia. Embora mantenha a coligação em maioria, Mário Passos perdeu dois vereadores em comparação ao seu antecessor – um na eleição de 2021 (com 52,88% passou de 8 para 7 vereadores) e mais um na eleição do ano passado (passando de 7 para 6 vereadores, com 49,64%  dos votos) [ver notícia Mário Passos reeleito presidente da Câmara de Famalicão com menos um vereador que em 2021].

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