Paços do Concelho de Vila Nova de Famalicão completam hoje 65 anos

O edifício foi inaugurado a 11 de junho de 1961. A história que o precedeu inclui um incêndio devastador.

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Hoje, 11 de junho de 2026, os Paços do Concelho de Vila Nova de Famalicão completam 65 anos. Foi a 11 de junho de 1961, pelas 16 horas, que o edifício foi solenemente inaugurado, tornando-se desde então um dos marcos mais reconhecíveis da cidade.

A história do atual edifício começa, paradoxalmente, por uma tragédia. Na madrugada de 5 de abril de 1952, um incêndio devastou quase por completo o anterior edifício dos Paços do Concelho, um projeto do engenheiro Frederico Pimentel, aprovado no final de 1872, durante a presidência do Barão de Trovisqueira.

O fogo provocou também a perda de numerosos documentos relativos à história e ao património artístico do município. Seguiu-se um debate aceso entre os famalicenses: uns defendiam a reconstrução fiel do edifício destruído; outros, uma construção moderna e emblemática, capaz de projetar Famalicão no futuro.

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Prevaleceu a visão da modernidade. Em 1954, o presidente da Câmara Álvaro Folhadela Marques encarregou o arquiteto Januário Godinho (1910–1990) de elaborar o projeto. A obra foi adjudicada em 1956 e ficou concluída em 1961.

Coube ao famalicense José Pinto de Oliveira, presidente da Câmara que sucedeu a Folhadela Marques, inaugurar o edifício. Segundo a imprensa da época, pelas 16 horas a vila estava engalanada para a cerimónia. As fanfarras dos Bombeiros Voluntários de Famalicão e dos Bombeiros Voluntários Famalicenses, bem como a Banda de Música de Famalicão, abriram as festividades num ambiente de grande entusiasmo popular.

A empreitada, incluindo o jardim envolvente, custou cerca de oito mil contos. “Era muito dinheiro. Na altura, pedimos um empréstimo, que cumprimos rigorosamente”, recordaria José Pinto de Oliveira a 11 de junho de 2011, quando, meio século depois, o município – então presidido por Armindo Costa – o convidou para assinalar os 50 anos do edifício, numa cerimónia presenciada por largas dezenas de famalicenses.

UMA OBRA, UM ARQUITETO

Os Paços do Concelho são considerados um dos ex-libris da obra de Januário Godinho no concelho, onde o arquiteto projetou no total treze edifícios, numa relação de trabalho que moldou a identidade arquitetónica moderna da cidade.

Januário Godinho nasceu em 1910 em Ovar, frequentou o curso de arquitetura na Escola de Belas Artes do Porto, e pertenceu a uma segunda geração de arquitetos modernistas portugueses, a par de Keil do Amaral, Arménio Losa ou Viana de Lima. Faleceu no Porto em 1990.

A ligação do município à memória do arquiteto mantém-se viva institucionalmente: com o Prémio de Arquitetura Januário Godinho, promovido pela Câmara Municipal.

65 ANOS DE REFERÊNCIA

O atual edifício e jardim integram um espaço com influências modernistas, com áreas de estadia e contemplação, junto ao busto de Camilo Castelo Branco, ao espelho de água e às árvores exóticas e canteiros da Praça Álvaro Marques, que homenageia precisamente o presidente que tomou a decisão de construir.

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