À Exmª Senhora dona Água de Areias de Vilar e Cávado de Montalegre e Larouco…

Sabemos que o importante não são as tabuletas, mas, antes, realizar, realizar e realizar…porque isso se prometeu, isso é urgente e quer a população. O resto são vaidades humanas, justas talvez, mas vaidades humanas.

Comentários

14 min de leitura

Se uma sondagem fosse desencadeada hoje junto dos famalicenses… procurando saber da obra ou obras mais decisivas para o concelho nestes últimos 40/50 anos…qual poderia ser a resposta, aqui e agora que brincam às condecorações e aos supermercados, às nomeações aberrantes e indecentes mesmo, a tirar placas e a por plaquinhas e plaquetas à moda do Brasil para garantia da salvaguarda da fama na posteridade/eternidade, mesmo em caso de tufões, tornados oudilúvios, selar negociatas e abalroar mesmo as regras democráticas… tão ocupados andam os seus provisórios titulares com as guerras do alecrim e da manjerona, perdendo de vista o essencial da governação!?…

Por mim tenho várias e quase indiscutíveis, porque básicas e opcionais em termos civilizacionais, mesmo que não se vejam muito ou estejam à vista de todos…mas porque sem elas não havia condições de haver cidade e vilas, empresas, fábricas, escolas e hospitais, enfim, vida urbana pública e particular em segurança e de razoável/boa qualidade.

Não se trata de exagero, mas na década de 1980, era a nossa realidade pura e crua, como se diz. Por coincidência fatual temos ao vivo a mensagem de falta de água em Almada para perceber melhor tudo isto. Claro que falo também de saneamento básico e recolha de lixos e resíduos sólidos urbanos e industriais, as autoestradas e variantes, central de camionagem, despoluição de rios e tratamento de lixos, mais o caminho de ferro e sua eletrificação, a chegada do gás natural e fibra ótica, enfim, que tudo é essencial para as famílias, as escolas, centros de saúde, hospitais, centros sociais e creches, bombeiros, lares e demais instituições da sociedade.

- Publicidade -

A água do rio Cávado que bebemos e a generalidade dos territórios municipais do Minho e até ao Porto vem das fraldas da serra do Larouco/Montalegre e dispensa apresentações por reconhecermos todos que rivaliza com qualquer outra boa água, diferente que é beber da torneira ou de outra marca engarrafada.

Começou a jorrar em nossas casas desde 6 de Maio de 1996, há 30 anos, data que nunca poderei esquecer, vinda diretamente da ETA monumental de Areias de Vilar por central elevatória ad hoc e a meio caminho de Barcelos, ponto de uma visita obrigatória de estudo a todo o autarca eleito para conhecimento da mesma, para além da nossa central elevatória encaixada no Louro e que já antigamente se fazia a partir do rio Este, pasme-se!…não merecendo qualquer reparo ou consideração a efeméride, contrariamente à Casa das Artes que celebrou 25 ou mesmo os 65 da Domus municipalis, mesmo que a destratem e, em boa verdade, a pequena fonte/lago no cruzamento das ruas Narciso Ferreira/Alves Roçadas e S. João de Deus existe desde aí e por isso… a marca comunitária de uma luta intensa e demorada pelas dificuldades que apresentava a grandeza e financiamento dos projetos e obras para um abastecimento de água capaz e digno para um concelho estrangulado e que ansiava crescer.

Uma guerra bem árdua e mais demorada que a de Troia e que foi urdida e vencida a partir do gabinete da presidência da CM. de VNF. não existindo regionalização nem qualquer exercício de poder por parte dos extintos governos civis, a partir da mobilização conjunta dos PC do Vale do Ave e pelo seu GAT/Gab. de apoio técnico e a que logo aderiram as CM. da Póvoa de Varzim e Maia, envolvendo profundamente a CCRN e seus técnicos de gabarito e mesmo as ações valiosas e constantes de duas personalidades do Norte, em tempo e governos diferentes e que conheciam bem o problema: Valente de Oliveira e Elisa Ferreira.

Podemos referir outras prioridades como a Universidade, o Citeve ou mesmo a Cespu e a matriz nova, o Tribunal, as piscinas e os muitos espaços desportivos mas… de pouco ou nada adianta continuar nesta saga de necessidades e equipamentos pois que, sem esta conquista basilar que se conseguiu a ferros e suor e disciplina orçamental; foi decisivo o peso político regional do poder local, a capacidade de elaboração de projetos e capacidades financeiras de todos para acometer a um objetivo quase impossível de resolver só por cada um e, mesmo assim, muito mais de uma década demoraram os maiores e principais segmentos das obras até que os biliões e biliões de gotinhas de água da serra do Larouco, esparramada entre Montalegre e Orense e à distância de 126kms., chegassem até nós e nossas casas e jardins e quintais, animais e demais usos essenciais…atento o seu alto valor e enormíssima qualidade até chegar à nossa mesa.

Pensem no que quiserem, pois, que para mim e ontem como hoje continua de longe a ser a obra de que mais me ufano e à equipa coesa que comigo trabalhou do partido socialista e porque sem ela nem cidade seríamos nem seria possível imaginar e planear o concelho poderoso que hoje somos. Tome-se, por exemplo flagrante, o caso de Almada. Todos barafustam, mas…problemas tão complexos exigem estudos e opções que demoram tempo e o dinheiro em escudos ou euros não é elástico.

Um acontecimento destes só possível com estabilidade política local e muita garra e tenacidade, pois que, também nós escalamos paredes e tivemos noites de insónia ou de alegria se chovesse bem, porém, como agora com o PRR da Europa, também poderiam perder-se ou ser devolvidos os apoios disponíveis, concorrenciais que eram as candidaturas e fundamental a disciplina orçamental pois que compromissos têm que ser assumidos e cumpridos caso não…acaba-se o dinheiro ou tem até de se devolver se antecipado. Já assim funcionavam as regras para este e muitos outros domínios como hoje.

Todas as grandes obras que foram decisivas para alterar a leitura e funcionamento para melhor de toda a região e território dos municípios do Vale do Ave e mais, desde a Póvoa de Varzim e Vila do Conde até Montalegre, foram gerados e congeminados pela AMAVE do nosso contentamento com a inesquecível competência e cumplicidade mesmo dos ilustres arquitetos Fernandes de Sá e Nuno Portas e que nos deixou exatamente há 1 ano e com 90 anos…desde a recuperação do Centro histórico de Guimarães até à modernização industrial e qualificação do têxtil, da despoluição do Ave e tratamento de suas lamas/resíduos industriais, com uma ETAR situada em cada um dos 3 municípios, âncora radical de toda a dinâmica regional e constituída inicialmente por VNF. Guimarães e Santo Tirso; abastecimento de água a partir do rio Cávado e não barragem do Ermal por sucessiva incorporação de outras áreas territoriais no projeto para além da qualidade e quantidades de água necessárias; ETRSU, estação de tratamento de resíduos sólidos urbanos, quase pioneira no País, sem esquecer a prova provada da visão larga e solidária das 3 Câmaras Municipais que acometeram sozinhas e sem apoios à construção da VIM/Via intermunicipal desde Vizela a Joane e com a ideia de seguir depois até ao nó sul de Braga, paga pelos 3 municípios nos seus longos 17 kms. e alguns milhões de contos que tivemos de assumir pela gestão cuidada que sempre fizemos do serviço de dívida e por forma a poder responder a tantos objetivos igualmente imperiosos e simultâneos e sobre os quais era fundamental e sempre responder a tempo e horas.

E porque não mesmo dar-lhe o nome de Amave em vez do atual, atendendo ao trabalho de todos e o nome de CIM nada acrescentar e até confundir mais?…

Devemos, porém, destacar VNF, e sem qualquer rebuço pelo avanço e luta mesmo, porque quase sozinho, pela avanço da Autoestrada Porto-Braga que não passava de um espantalho agitado às populações em aproximar de eleições; da guerra pela água se queria crescer que Taipas, Guimarães, Vizela e Santo Tirso ou Trofa tinham o Ave à porta ou outro capaz e VNF o riacho sazonal Este que fazia os famalicenses terem verdadeiros tanques de água de reserva por cima de seus prédios como na Av. Narciso Ferreira, Humberto Delgado ou mesmo no centro da cidade onde se permitia construir deliberadamente em altura, favorecendo vergonhosamente os construtores e sem que as respostas óbvias da qualidade fossem dadas às exigências legais e de decência cívica e social aos cidadãos; para que o Citeve aqui ficasse movimentaram-se alguns empresários para tal mas quase como que a CM. ou oferecia os terrenos ou poderia ir para Guimarães, por exemplo.

Assumimos e pagamos 250.000.000.00 contos, começando as negociações para o Parque da Devesa também, já que estávamos com a mão na massa mas sem avançarmos no compromisso fechado, o seu proprietário era pessoa de bem, antigo Vereador municipal e o clamor popular/desejo/pressão dos tempos junto do muro das lamentações, obviamente a sempre poderosa Câmara Municipal e como se nada mais houvesse para fazer e gastar, aumentando o seu serviço de dívida como noutros casos e para os quais sempre teve a nossa CM. total possibilidade de maneios e recurso a créditos, fossem eles quais fossem, por mais que se ouçam vozes perdidas pensando vender ainda hoje esse embuste do falso endividamento.

E guardo comigo uma avaliação da Quinta da Devesa então ordenada em Agosto/96 a peritos permanentes e respeitados da CM. em termos de sua extensão, área possível de construção e zona florestal e agrícola e sei bem dos valores fabulosos que se negociaram poucos anos depois, a par de mudanças aqui e em vastas áreas agrícolas de freguesias como Ribeirão e Fradelos, entre outros nichos agrícolas escolhidos para virar construção hoje. Porque seria tamanha inflação e vantagem disso?…

E claro que nunca mais o famigerado PDM seguiu os trâmites impostos por lei e atirados para debaixo do tapete até hoje neste como noutros muitos casos. Como abrir uma caixa de Pandora que possibilite pensar que tudo pode ser nosso por preço simbólico e virar depois via PDM pela demora, apreciação grosseira e alterações de possibilidades construtivas em verdadeiras minas e jazidas de ouro.

Se lhe juntarmos o fedorento caso das Pateiras e os escandalosos parques fotovoltaicos aqui teremos rico manancial para o ministério público, sempre tão zeloso e atento no meu tempo, objeto de diversas averiguações e processos que nunca, mas nunca provaram o que quer que fosse de irregular.

O problema, porém, era sempre o das prioridades, das prioridades orçamentais, entenda-se, tanto estava feito e mais ainda para fazer O Centro de estudos camilianos, A Casa das Artes, os terrenos do novo Tribunal e o Citeve ficaram totalmente pagos, e o Parque da Devesa praticamente negociado e fechado o negócio, ficando o selar das responsabilidades para breve pelas novas responsabilidades financeiras.

Qualquer pequena ou grande obra tem por trás de si muita ruminância, alguma história e esforço coletivo e se pensarmos nas obras que desde 1835 se sonharam e realizaram verificaremos que se fez sempre o possível e o impossível por vezes, tantas as necessidades dos fregueses e das freguesias, das vilas e da cidade dos famalicenses, pois que gerados na babugem das invasões napoleónicas e em que a corte de Dom João VI vai/foge para o Brasil, seguido dos anos terríveis de guerra civil entre nós e de 1828-1834, vésperas mesmo de voltarmos a existir como Município, desde a revolta da Maria da Fonte e a Patuleia bem perto de nós e de que Camilo trata em romance muito próximo da realidade territorial e social envolvente, seguida da chamada Belenzada,1836, seguida da revolta de Saldanha,1851,morre a rainha Dª Maria II aos 33 anos em 1853 e por cá tendo passado em 1852 que nos outorgara o novo foral de existência em 1835.

Chega o comboio por estas bandas a vapor e as duas grandes epidemias da cólera e da febre amarela, existe a estrada real nº 3 de Porto-Braga em macadame para as dezenas de diligências, liteiras e carretos, procurando hospedarias e atravessando o miolo do nosso núcleo urbano primeiro e radical, de acordo com as fontes documentais do tempo: pouco mais para aquém da temível Terra negra de Cabrais e Zé de Telhado, o campo da granja da nossa velha feira, o percurso da matriz velha pela praça da mota e rua direita e viela dos enchidos até à Lapa e cruzes velhas e da mesma matriz até ao campo da feira e rua Formosa acima/antiga estrada real nº 3, pela travessa das laranjeiras e abaixo pois aqui começou por passar aquilo a que chamaremos depois de estrada nacional 14 de Porto a Braga e por onde marcharam revoltadas as tropas do 28 de Maio.

Mesmo assim apareceram os Paços do concelho e a Praça do Príncipe Real, o hospital na Lapa, as escolas do Conde de S. Cosme do Vale, a Creche-mãe, o hotel Vilanovense…que tudo o mais funcionava encostado à rua Direita como o edifício que acolheu a Comissão municipal e edifício da Câmara antiga, cadeia e outros adereços e a nova rua de Camilo Castelo Branco, um dos primeiros arruamentos em 1886, e o campo da feira com” barracas de taboado e colmo, sem casas à volta”… como cenário permanente até aos dias de feira.

Ainda hoje, pelo que se sabe, falta a distribuição e chegada da água pública a algumas freguesias e se isso já era apontado à atual CM por volta de 2012 na Assembleia municipal ignoro de verdade que respostas dar ou quando acabará a execução do projeto audacioso e global que candidatamos no século passado.

É uma obra básica em qualquer município europeu ou que se preze em cuidar dos seus cidadãos e ambiente como a do saneamento básico ou da recolha universal de lixos e bom é que avance por forma a cooperar com a melhoria essencial das condições climáticas. Sabemos que o importante não são as tabuletas, mas, antes, realizar, realizar e realizar…porque isso se prometeu, isso é urgente e quer a população. O resto são vaidades humanas, justas talvez, mas vaidades humanas.

E isso também sabe o povo…quem sonhou e idealizou e quem entregou a chave ou descerrou a tabuleta…pois que será sempre o nome da CM que nos propusemos servir que aparecerá e bem. Como se pode agora em Almada dar a água que não se tem?…

Propõem agora colaborar para resolver. Ainda bem e é o que se exige aos eleitos. Foi o que fizemos na década de 80 para termos água desde aquele dia 6 de maio de 1996…água que já podia há muito ter chegado às freguesias em falta desde 2001 até 2020, pelo menos, e que urge rematar a bem de todos nestes longos 30 anos de execução, deixando de gastar em foguetório e milhões com uma parte da Vereação inoperante, rodeada de súbditos e fidelíssimos na escolha de colaboradores e amigos…de amigos, que em teletrabalho?…em casa, deteriorando a democracia e o poder local, contra tudo e todos em prol de projetos de poder pessoal, alterando comportamentos e enviesar totalmente as armas mais nobres da democracia: a tolerância e igualdade com a comunicação social, a transparência dos atos e decisões, veracidade nas palavras e ações, participação cívica e igualdade entre todos os eleitos e cidadãos.

Sem isto pode a democracia travestir-se perfeitamente de vil comédia até, se não mesmo trágico para o concelho. Chega de escaramuças pelo assalto ao poder que já por duas vezes as tivemos até hoje, mesmo no anterior regime…que de quando em vez os homens são iguais ou parecidos nos seus sinistros golpes e ambições sem limite…fazendo lembrar a atualidade de Animal farm de G. Orwell…

Está hoje à vista tudo o que foi possível fazer-se com os limitados recursos disponíveis e com uma sempre cuidada gestão financeira, mesmo que oculto e debaixo da terra e onde se enterraram largos milhões e milhões porque inadiável, necessário e urgente e pois essa é a ambição de todos os eleitos e bem que merecia ser reeditado o livro…” Imagens de Famalicão antigo”…em jeito de preito e homenagem pelo precioso trabalho há muito esgotado do conceituado e amigo historiador recentemente falecido, Dr. António Joaquim Pinto da Silva, sobre o nosso passado recente e pois que tivemos a sorte de ter encontrado o homem e o profissional certo para o lugar, arrumando a casa e os papéis, de uma simplicidade contagiante, seriedade a toda a prova, quase como o nosso Fernão Lopes pela “certidom da verdade”… durante longos anos.

Que a terra lhe seja leve e honremos a sua memória…que bem merece!…acompanhando a Maria José, filhos, netos e demais família neste difícil momento.

Comentários

Notícia anterior

Humanamente junta-se à Associação Europeia de Organizadores do Orgulho

- Publicidade -
O conteúdo de Notícias de Famalicão está protegido.