Vila Nova de Famalicão prepara-se para 2026 com mais um orçamento municipal reforçado. Que novidade…!! Aliás, já começa a ser tradição: ano após ano, o orçamento cresce, cresce… e se o orçamento aumenta sucessivamente, é porque tudo está a ser feito… exemplarmente. Será?
A lógica é simples e eficaz: mais orçamento significa mais investimento; mais investimento significa mais obra; mais obra significa mais prova visível de boa gestão, pelo menos na cabeça (pequena) de alguns.
Todos sabemos que gerir bem os fundos públicos não é poupá-los — isso seria mesquinho, uma tontice completa — mas aplicá-los com coragem (leia-se, mais do mesmo). Restando aos cidadãos fazer o papel menos confortável: olhar para além do valor global e perguntar: para além de maior, o orçamento é também melhor?
Ler (ou ouvir) as declarações do Presidente da Câmara a anunciar o valor não é só vergonha alheia, é doloroso para os olhos (ou ouvidos).
Sem dúvida que o uso das palavras certas (sugeridas pela equipa de marketing paga por todos nós) transforma qualquer visão desnorteada num discurso que tenta mostrar que quanto maior…..melhor será. (Muito se engana quem assim julga).
O que tirar então de tal discurso? A quem serve tal orçamento? Quantas famílias vão efetivamente beneficiar deste orçamento? E o ambiente? E o bem-estar animal? E o combate à violência doméstica? E…? E…? Tantos “e”….
Não fosse estarmos a viver tantas depressões, que isto daria direito a mais uma….
Naturalmente, ficam pelo caminho algumas questões incómodas: o impacto real no dia a dia dos munícipes, a sustentabilidade a médio e longo prazo, a hierarquização das prioridades.
O tamanho importa? Muito pouco, se não se sabe o que fazer com aquilo que se tem em mãos.
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