Estádio Municipal: CDU critica “sucessivos recuos” e “falta de transparência”

Deputada Tânia Silva questiona “credibilidade política” de um projeto que não sai do papel.

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Estádio Municipal de Famalicão.

O impasse em torno da requalificação do Estádio Municipal voltou a ser tema na Assembleia Municipal. Na sessão desta segunda-feira, 27 de abril. Tânia Silva, deputada da CDU, confrontou diretamente o Presidente da Câmara, Mário Passos, classificando a gestão deste processo como um exemplo de “indefinição, falta de transparência e sucessivos recuos”.

A crítica surge num momento de particular fragilidade para o projeto. Recorde-se que a estratégia apresentada com pompa e circunstância por Mário Passos passava pela criação de um “edifício com o estádio dentro”: um complexo que fundiria as vertentes desportiva e empresarial, a ser construído por privados [ver notícia Mário Passos promete lançar concurso para “complexo desportivo e empresarial” nos terrenos do estádio].

No entanto, a ambição do executivo sofreu um revés significativo após o concurso público ter ficado deserto, sem que surgissem investidores interessados.

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 “ÚTIL EM CAMPANHA, SEM RUMO NO TERRENO”

Para a CDU, a sucessão de anúncios nos últimos anos, intensificada nos períodos eleitorais, serviu apenas para criar “expectativas infundadas” na população.

Tânia Silva não poupou palavras ao descrever a condução política do dossiê: “Não é apenas um problema de gestão, é uma forma de desrespeito para com a população, atletas e todos aqueles que aguardam há demasiado tempo por respostas sérias.”

Tânia Silva, deputada da CDU

A deputada questionou se o projeto do estádio não terá sido apenas um trunfo eleitoral que, passado o escrutínio das urnas, “se arrasta agora sem rumo definido”. Recorde-se que já havia anteriormente se mostrado contra a forma como o assunto tem sido conduzido [ver notícia CDU diz que “falta de planeamento e estratégia” é “evidente” na gestão do processo do novo estádio municipal].

 AUSÊNCIA DE ALTERNATIVAS

Perante o falhanço da solução baseada no investimento privado, Tânia Silva exigiu saber se o executivo de Mário Passos possui alternativas viáveis para tirar o projeto do papel.

“O executivo tem alternativas concretas – plano B, C ou D – ou continua dependente de uma solução que sucessivamente falha, sem assumir responsabilidades políticas por isso?”, questionou a deputada, instando Mário Passos a clarificar se existem vias alternativas ou se a Câmara continua “dependente de uma solução que sucessivamente falha”.

Pina Ferreira, presidente do FC de Famalicão; Mário Passos, presidente da Câmara Municipal; e Miguel Ribeiro, presidente da SAD do FC Famalicão.
Pina Ferreira, presidente do FC de Famalicão; Mário Passos, presidente da Câmara Municipal; e Miguel Ribeiro, presidente da SAD do FC de Famalicão, na conferência de imprensa realizada no dia 20 de fevereiro de 2024, na qual a Câmara de Famalicão apresentou a estratégia para o futuro Estádio Municipal.

A deputada da CDU sublinhou que a credibilidade da ação política do executivo está em causa, apelando a que se assumam responsabilidades pela estagnação de uma obra estruturante para o concelho.

A intervenção terminou com um apelo à apresentação de um plano credível, que abandone a lógica das promessas e passe aos “avanços concretos”, pondo fim a um processo que, na visão da oposição, tem sido marcado pela falta de rumo e pelo prejuízo para a imagem da própria governação municipal.

Imagens virtuais do projeto de remodelação do Estádio Municipal de Vila Nova de Famalicão apresentado por Paulo Cunha em outubro de 2018. Uma obra que ficou no papel.

Recorde-se que em 2018, Paulo Cunha, antecessor de Mário Passos no cargo, prometeu a remodelação do Estádio Municipal de Vila Nova de Famalicão apontando a inauguração do “novo” estádio apenas para três anos depois, ou seja, em 2021 – que foi ano de eleições autárquicas. Na altura Mário Passos era vereador do Desporto.

A SAD do FC Famalicão e os adeptos também estão “fartos de promessas adiadas” e tem manifestado o seu descontentamento com a autarquia em relação ao prometido novo estádio municipal [ver notícia Estádio Municipal: FC Famalicão acusa Câmara de “violação de compromisso” e adeptos pressionam Mário Passos].

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