Peso pesado do PSD critica Mário Passos: “Deixemo-nos de artifícios de bastidores”

Álvaro Oliveira, ex-presidente do PSD-Famalicão e antigo líder do partido na Assembleia Municipal, exige que proposta socialista vá a votos. “É isto o que se espera de uma democracia adulta!”, afirma.

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A polémica em torno da recusa de Mário Passos em agendar a proposta do PS de homenagem a dois ex-presidentes da Câmara de Vila Nova de Famalicão está a ganhar novos contornos. Desta vez, a crítica parte de dentro do próprio universo social-democrata: Álvaro Oliveira, militante histórico do PSD-Famalicão e figura incontornável da política local, pronunciou-se nas redes sociais contra a posição do autarca, num texto que não deixa margem para dúvidas.

“Tive agora conhecimento que, uma vez mais, não foi admitida a proposta de homenagem a dois autarcas de Vila Nova de Famalicão. Não sei as razões! Presumo, no entanto, que inexistem”, escreveu Álvaro Oliveira, acrescentando que “um tema desta natureza não devia ser tão maltratado”.

Advogado de reconhecido prestígio em Famalicão, Álvaro Oliveira é atualmente presidente da Auditoria Financeira do PSD distrital de Braga e tem uma longa ligação ao PSD local. Foi presidente da comissão política do partido, vereador e deputado à Assembleia Municipal, onde liderou a bancada social-democrata.

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O seu perfil confere um peso político particular à tomada de posição, tanto mais que surge na sequência de uma reunião da comissão política do PSD-Famalicão que se pronunciou favoravelmente ao agendamento da proposta, após a qual o presidente do partido, Paulo Reis, afirmou estar “confiante” de que Mário Passos iria “cumprir”.

“DEMOCRACIA ADULTA”

No texto publicado nas redes sociais, Álvaro Oliveira reconhece que a iniciativa dos vereadores do PS-Famalicão tem “um pouco de ‘matreirice’ política”, mas considera que isso não invalida a sua apreciação em sede própria. “Ainda assim, merecia ser discutida no local próprio onde os proponentes pudessem apresentar as suas motivações e os demais membros da Câmara pudessem, de igual modo, apresentar as suas eventuais objeções. É isto o que se espera de uma democracia adulta!”, sublinhou.

O advogado famalicense faz questão de contextualizar a sua posição à luz de uma ligação pessoal a ambos os ex-autarcas que a proposta visa homenagear: Agostinho Fernandes e Armindo Costa. Em relação ao primeiro, afirma ter sido “invariavelmente crítico da sua atuação enquanto Presidente da Câmara”, ressalvando, porém, que as divergências foram sempre marcadas pela lealdade.

Quanto a Armindo Costa, a ligação é de natureza diferente: foi Álvaro Oliveira quem, juntamente com Nuno Melo, o convidou a encabeçar a coligação entre PSD, CDS e PPM, em 1997. “Na altura não vencemos as eleições, mas, modéstia à parte, lançamos a semente da vitória que veio a ser um marco de viragem para um concelho mais desenvolvido”, recordou.

Para Álvaro Oliveira, ambos os ex-presidentes deixaram as suas marcas em obras que “em muito engrandeceram o nosso concelho”: a Casa das Artes e o Parque da Devesa. É precisamente a estes dois equipamentos que defende que devem ser atribuídos os seus nomes: “Mais do que duas obras relevantes são tais estruturas o sinal indelével daquilo que, de bom, se fez neste concelho. É, pois, neste sentido que entendo ser um imperativo de justiça atribuir-se a estes dois equipamentos o nome dos seus mentores.”

O militante histórico do PSD termina o texto com um apelo direto: “Deixemo-nos, pois, de artifícios de bastidores e de jogadas que nada dignificam os seus autores e façamos aquilo que é um justo tributo aos homenageados! O passado, e o futuro, a isso obrigam.”

A tomada de posição de Álvaro Oliveira surge num momento de crescente insatisfação com a postura de Mário Passos, que, pela segunda reunião consecutiva, excluiu da agenda camarária a proposta do PS, contrariando o seu próprio partido.

Além de Eduardo Oliveira, vereador do PS; e de Paulo Reis, presidente do PSD-Famalicão, também o vereador do Chega Pedro Alves e o coordenador da Iniciativa Liberal Paulo Lopes tinham criticado publicamente a posição do autarca. Este último instou mesmo o PS a recorrer aos tribunais, se necessário: “Não se calem, levem isso a votação”.

A reunião de câmara está agendada para esta quinta-feira, 25 de junho. O executivo camarário é composto por 11 membros: seis da coligação PSD-CDS, quatro do PS e um do Chega.

 

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