O presidente da Câmara de Famalicão, Mário Passos, decidiu contrariar o PSD-Famalicão e voltou a não incluir na agenda da reunião camarária uma proposta apresentada pelos vereadores do Partido Socialista que já havia recusado levar à apreciação dos vereadores na reunião anterior, no dia 11 deste mês.
A agenda da próxima reunião, que será realizada esta quinta-feira, 25 de junho, está disponível no sítio oficial do município e, mais uma vez, sem a proposta apresentada pelo PS. Isso acontece após uma reunião do PSD-Famalicão, na qual Mário Passos ouviu a comissão política do seu partido pronunciar-se favoravelmente ao agendamento da proposta.
“Uma proposta vinda da oposição, desde que cumpra o regimento e a lei – seja ela numa Assembleia de Freguesia, na Assembleia Municipal ou na Câmara – deve ser acolhida e colocada na agenda. Depois é a democracia a funcionar, obviamente”, afirmou Paulo Reis, presidente do PSD-Famalicão, em declarações ao NOTÍCIAS DE FAMALICÃO após essa reunião na qual a comissão política do partido analisou a recusa do edil em agendar a proposta.
“É um tema eminentemente político e, nós, no PSD, temos sempre uma palavra a dizer, obviamente”, afirmou o líder social-democrata de Vila Nova de Famalicão a propósito da proposta apresentada pelos vereadores socialistas, sublinhando que a comissão política estava “confiante” que o autarca iria “cumprir” e agendar a proposta.
Este imbróglio acontece num momento particularmente delicado para a coligação PSD-CDS em Vila Nova de Famalicão que, depois de sucessivos avanços eleitorais, após mais de 20 anos de poder socialista (1983-2001), está a perder terreno (perdeu um vereador em 2021 e outro vereador em 2025). Com a votação obtida por Mário Passos no ano passado, foi a primeira vez que um presidente da coligação Mais Ação Mais Famalicão foi reeleito com menos de 50% dos votos.
Este caso está a contribuir para aumentar o desgaste de Mário Passos dentro e fora do partido. Num debate realizado no Famalicão Canal, Pedro Alves, vereador do Chega na Câmara de Famalicão, afirmou ser “totalmente a favor” da homenagem “a duas pessoas que historicamente marcaram o nosso concelho e não mereciam esta desfeita [de recusar agendar a proposta]”.
“Mário Passos não pode pura e simplesmente impedir que a proposta vá à discussão”, afirmou Paulo Lopes, coordenador da Iniciativa Liberal, instando o PS a ser mais “interventivo” e a recorrer aos tribunais caso seja necessário. “Não se calem, levem isso a votação”, insistiu.
Nesse mesmo debate, e a propósito de um eventual apoio ou coligação da Iniciativa Liberal ao PSD numa próxima eleição autárquica, Paulo Lopes foi claro: “Enquanto eu liderar, com Mário Passos não haverá nenhum tipo de proximidade. Em termos políticos está muito distante daquilo que nós defendemos”, sublinhando que “muita gente em Famalicão se está a aproximar [da IL] porque não gosta de um presidente despesista”.
Recorde-se que o executivo da Câmara Municipal é formado por 11 membros, sendo 6 da coligação PSD-CDS, 4 do PS e 1 do Chega. No entanto, a proposta nunca chegou a ser votada, já que o presidente da Câmara recusa-se a incluir na agenda da reunião para apreciação dos vereadores.
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