Carta aberta pede “interesse público municipal” para os plátanos da Avenida 25 de Abril

Movimento de cidadãos e associações defendem soluções técnicas em vez da remoção das árvores.

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Um grupo de cidadãos e várias entidades locais, entre as quais a Associação Famalicão em Transição, entregaram esta quarta-feira, 13 de maio, nos serviços camarários uma carta aberta dirigida ao Presidente da Câmara Municipal. O objetivo central é a classificação do alinhamento de plátanos da Avenida 25 de Abril como “conjunto arbóreo de interesse público municipal”, visando a proteção legal e a gestão adequada destas árvores icónicas.

Os plátanos em questão acompanham o eixo central da cidade, desde a Rua Adriano Pinto Basto até à estação da CP, integrando um corredor verde de cerca de dois quilómetros que se estende pelas avenidas Narciso Ferreira e do Brasil.

Com cerca de 70 anos de existência, este conjunto arbóreo é descrito pelos signatários como parte indissociável da memória coletiva dos famalicenses: “faz parte da vida dos famalicenses há cerca de 70 anos, ou seja, para a maioria de nós, sempre estiveram ali”.

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“Preservar os plátanos da Av. 25 de Abril é um dever de memória, um compromisso estético e um desígnio ambiental”, lê-se na carta aberta. O documento sublinha que este conjunto funciona como uma “muralha verde” que contrasta com o cinzento do edificado urbano, sendo essencial para a mitigação das alterações climáticas e para o bem-estar da população.

Além da Famalicão em Transição, entre os signatários da carta estão associações como a Vento Norte, Quercus, H2Ave, Yupi.

A missiva também conta com o apoio de diversos famalicenses, entre eles, Agostinho Fernandes, Presidente da Câmara de Famalicão entre 1983 e 2002, e Helena Freitas, professora catedrática da Universidade de Coimbra, diretora do Parque de Serralves e titular da Cátedra UNESCO em Salvaguarda da Biodiversidade para o Desenvolvimento Sustentável. A famalicense Helena Freitas representa Portugal na Plataforma IPBES e integra o Comité Internacional do programa UNESCO Homem e Biosfera.

CONTRA “PODAS ABUSIVAS”

Um dos pontos críticos levantados pelos proponentes prende-se com o tratamento atual das árvores. O texto denuncia “rolagens abusivas” e “podas incorretas” que têm danificado os espécimes “de forma irreversível”. O movimento pretende que a manutenção siga o aconselhamento de especialistas, respeitando a integridade biológica das árvores.

A Associação Famalicão em Transição reconhece que a convivência com as árvores de grande porte traz desafios, mas defende soluções técnicas em vez da remoção. Entre as propostas apresentadas estão a correção do alinhamento das guias, o alargamento das caldeiras (espaço na base do tronco) e a resolução dos problemas de levantamento do pavimento, sem esquecer a gestão da queda de folha no outono.

CORREDOR ECOLÓGICO URBANO

Para além do valor histórico, a classificação fundamenta-se no papel ecológico vital deste alinhamento. “Os plátanos garantem a regulação da temperatura e humidade em contexto urbano e servem de corredor para a biodiversidade que transita entre o centro da cidade e os Parques de Sinçães e da Devesa”, afirmam.

O pedido de classificação fundamenta-se no Regulamento Municipal de Gestão de Arvoredo de Vila Nova de Famalicão, esperando agora os signatários que “a autarquia reconheça a importância deste património vivo para as próximas gerações de famalicenses”.

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