Sofia Fernandes ausente no Dia da Cidade “por respeito” pela história autárquica e pelo PSD

Ex-vereadora explica que ausência na cerimónia deve-se aos “acontecimentos mais recentes” na autarquia. Sofia Fernandes aponta falta de “memória institucional” ao executivo de Mário Passos. Mais um momento de tensão entre o autarca e o PSD-Famalicão.

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Sofia Fernandes, deputada à Assembleia da República, ex-presidente da Concelhia do PSD-Famalicão e ex-vereadora na Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão, esteve ausente da sessão solene comemorativa do Dia da Cidade, que se realizou hoje, 9 de julho, na Casa das Artes.

A decisão foi comunicada, dias antes, numa carta dirigida ao presidente da Câmara Municipal, Mário Passos, a que o NOTÍCIAS DE FAMALICÃO teve acesso. Na carta, Sofia Fernandes explica as razões da sua ausência, apesar do seu nome constar da lista de homenageados com a Medalha de Mérito Municipal Autárquico.

Este ano, a distinção é atribuída aos vereadores que terminaram funções no último mandato autárquico: Juliana Santos, Luísa Azevedo, Paulo Folhadela, Ricardo Mendes e a própria Sofia Fernandes.

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Na carta, Sofia Fernandes esclarece que não está a recusar a distinção em si, mas sim a sua presença na cerimónia: “aceitei a distinção que me foi atribuída, a par de outras pessoas que serão igualmente homenageadas”, escreveu a deputada.

Sofia Fernandes justifica a ausência com “os acontecimentos mais recentes” na autarquia, afirmando que o executivo “não demonstra a devida memória institucional nem o respeito que é devido ao percurso e ao legado do poder autárquico de Vila Nova de Famalicão”.

Deputada fala em respeito, memória e consideração

A carta liga explicitamente a decisão de Sofia Fernandes ao desfecho da proposta de homenagem ao arquiteto Armindo Costa, ex-presidente da Câmara (2002-2013). A deputada refere que o PSD-Famalicão “manifestou de forma clara a orientação para que os eleitos do PSD no executivo municipal votassem favoravelmente essa homenagem” e lamenta que “essa indicação política não tenha sido respeitada”.

Sofia Fernandes conclui a carta a Mário Passos afirmando que a ausência na cerimónia é um gesto de “respeito pela história do poder autárquico de Vila Nova de Famalicão”, pela “memória daqueles que tanto contribuíram para o seu desenvolvimento” e pelo Partido Social Democrata, “cujas orientações entendo deverem merecer consideração por parte de quem o representa institucionalmente”.

Recorde-se que comissão política do PSD-Famalicão, liderada por Paulo Reis, aprovou por unanimidade, numa reunião realizada a 1 de julho, uma recomendação aos eleitos da coligação PSD-CDS (presidente da Câmara e vereadores) para que aprovassem a proposta do PS de homenagear os antigos presidentes Agostinho Fernandes e Armindo Costa, através da atribuição dos seus nomes à Casa das Artes e ao Parque da Devesa, respetivamente.

Na reunião extraordinária de 3 de julho, convocada a pedido do PS, Mário Passos e os vereadores da maioria PSD-CDS votaram, no entanto, contra a proposta, com o Chega a abster-se. Na mesma reunião, o executivo aprovou uma proposta  alternativa, apresentada por Mário Passos.

A decisão do autarca gerou reação pública dentro do próprio PSD-Famalicão, que classificou o incumprimento da orientação de voto como “uma linha vermelha intransponível” e uma violação dos “deveres de lealdade institucional e política” para com a estrutura partidária.

Também Armindo Costa se pronunciou sobre o processo, numa carta enviada às concelhias do PSD e do CDS dias antes da convocação da reunião extraordinária, na qual dava o seu consentimento apenas à proposta original do PS.

Tensão entre Mário Passos e o PSD-Famalicão

O caso da homenagem a Armindo Costa não é o primeiro momento de tensão entre Mário Passos e o PSD-Famalicão.

Em março de 2024, o autarca disputou a liderança da Comissão Política Concelhia contra Sofia Fernandes, então vereadora do seu próprio executivo, tendo sido derrotado por uma diferença esmagadora.

O desentendimento voltou a agravar-se na campanha para as autárquicas de 2025. Uma das situações que “caiu muito mal” junto do PSD-Famalicão foi a exclusão do mandatário da lista escolhido pelo PSD-Famalicão.

Na composição da lista de candidatos a vereadores, Mário Passos “recusou sempre as propostas do partido”, enquanto o CDS-PP viu as suas indicações respeitadas.

Já na lista à Assembleia Municipal, Mário Passos exigiu a exclusão de quatro nomes indicados pela concelhia, entre eles o da própria líder, primeira indicação do partido. Na sequência, Sofia Fernandes afastou-se até ao dia das eleições, com o partido a garantir “todas as condições políticas, logísticas e operacionais” à campanha eleitoral.

 

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