Augusto Lima divulga documentos internos do PSD que expõem tensão entre o partido e Mário Passos

Vereador partilhou online recomendação do partido com “uma linha vermelha intransponível”.

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Dias antes da reunião extraordinária da Câmara Municipal exigida pelo PS, a comissão política do PSD de Famalicão deliberou, por unanimidade, recomendar aos eleitos da coligação PSD-CDS no executivo municipal – presidente da câmara e vereadores – que aprovassem a proposta socialista de homenagem aos antigos presidentes Agostinho Fernandes (PS) e Armindo Costa (PSD-CDS).

A deliberação do partido e uma carta do antigo presidente da Câmara Armindo Costa foram apresentados na reunião da comissão política, realizada na quarta-feira, dia 1 de julho e tornaram-se públicos depois de o vereador do PSD Augusto Lima os ter publicado, na quarta-feira à noite, no estado do WhatsApp, apagando a publicação minutos depois.

Augusto Lima não integra a comissão política do partido e, portanto, não esteve presente na reunião. Segundo apurou o NOTÍCIAS DE FAMALICÃO, as fotografias dos documentos terão sido enviadas ao vereador por alguém que participava no encontro à porta fechada.

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Não há confirmação sobre a intenção do vereador de publicar o conjunto de imagens. É possível que a publicação tenha sido acidental e que o destinatário pretendido fosse o presidente da Câmara, Mário Passos, mas este jornal não conseguiu, até ao momento, confirmar essa versão junto do vereador Augusto Lima.

Refira-se que o estado no WhatsApp é uma nova funcionalidade da rede social que permite compartilhar fotos, vídeos e textos que ficam visíveis para seus contactos de WhatsApp durante 24 horas. Funciona como uma atualização temporária do seu perfil, sendo muito similar aos Stories de redes sociais como o Instagram.

“Violação da memória recente do PSD”

No texto, a comissão política do PSD de Famalicão, presidida por Paulo Reis, saúda a homenagem a Armindo Costa, que descreve como “o mais relevante presidente de câmara desta coligação”, e felicita a autarquia pelo programa de comemorações dos 50 anos do poder local. Considera ainda que ambas as propostas – a da coligação e a do PS – “têm mérito”, são “complementares” e “em nenhum ponto incompatíveis”, devendo ser aprovadas nos termos apresentados [ver notícia Mário Passos leva proposta própria à reunião marcada por exigência pelo PS].

O documento refere também que a comissão política já tinha alertado o presidente da câmara, numa reunião anterior, para a necessidade de agendar o ponto numa reunião ordinária, por entender que a lei e o regimento municipal assim o exigiam – o que, defende o texto, teria evitado a necessidade de convocar a reunião potestativa [ver notícia PS-Famalicão aciona mecanismo legal contra “bloqueio” de Mário Passos].

O ponto mais direto do documento recomenda que a proposta do PS teria de “ser aprovada” na reunião desta sexta-feira, considerando que a sua não aprovação representaria “uma inexplicável falta de lealdade política”, uma “violação da memória recente do partido em Famalicão” e um “vexame” para com os 12 anos de liderança de Armindo Costa à frente da câmara – período que a comissão associa ao regresso do PSD ao poder autárquico depois de décadas de maiorias socialistas [ver notícia Líder do PSD destaca “importância e relevância” de Armindo Costa para o partido e para Famalicão].

O documento invoca ainda casos anteriores em que o PS terá votado a favor ou abstendo-se em propostas apresentadas por Mário Passos, para sustentar que não há razão para que o mesmo alinhamento não se repita agora. Por fim, a comissão política liderada por Paulo Reis qualifica o incumprimento dessa recomendação – seja por voto a favor de ambas as propostas, seja por abstenção, com ou sem declaração de voto – como “uma linha vermelha intransponível” e uma violação dos “deveres de lealdade institucional e política” para com o órgão.

Mário Passos optou por ignorar mais uma vez o PSD-Famalicão e a proposta foi chumbada esta sexta-feira. O edil afirmou publicamente não temer consequências políticas por ter ignorado a orientação de voto recebida pelo seu partido e disse com todas as letras: “Eu não temo nada”.

 

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