Casa de Camilo revive tradição do abadessado com forte adesão do público

A Casa de Camilo recriou um tradicional abadessado e devolveu aos jardins da instituição um dos rituais culturais mais singulares dos antigos conventos femininos portugueses. Participaram mais de cem pessoas.

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A Casa-Museu de Camilo Castelo Branco recriou no sábado, 20 de junho, um tradicional abadessado, devolvendo aos jardins da instituição um dos rituais culturais mais singulares dos antigos conventos femininos portugueses.

A iniciativa, aberta ao público e realizada à sombra da ramada junto à casa dos Caseiros, contou a presença da vereadora da Cultura da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão, Susana Pereira, e reuniu mais de uma centena de participantes, que viveram uma tarde marcada pela poesia, pela memória e pelos sabores conventuais.

O abadessado, ritual literário do século XIX que ocorria aquando da eleição de uma nova abadessa, juntava familiares, amigos e poetas que, a partir dos motes lançados pelas religiosas através das grades, compunham versos num ambiente simultaneamente espiritual e festivo.

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Entre os frequentadores destes encontros encontrava‑se o próprio Camilo Castelo Branco, cuja presença em saraus deste género marcou a sua vivência social e literária.

A recriação promovida pela Casa de Camilo procurou recuperar essa atmosfera. O declamador Aurelino Costa deu voz a textos camilianos, recriando o ambiente poético que caracterizava estes encontros e aproximando o público da oralidade literária oitocentista.

SABORES CONVENTUAIS E VINHOS LOCAIS

Os participantes degustaram vinhos da Vinevinu, de Requião, e da Adega Casa da Torre, do Louro, bem como o tradicional licor de Singeverga. A doçaria conventual das rmãs clarissas do convento S. Francisco de Assis, de Cruz de Pêlo (Vale S. Martinho), assim como das freiras de Roriz e Vila das Aves, trouxe à celebração os sabores que historicamente acompanhavam estes saraus, onde, como se dizia, “a alma se alimentava de versos e o corpo de doces e vinho”.

A resposta do público foi expressiva: mais de cem pessoas participaram na iniciativa ao longo da tarde, demonstrando que o universo camiliano continua vivo e capaz de mobilizar diferentes gerações.

A recriação evocou ainda a tradição segundo a qual Camilo terá conhecido Isabel Vaz Mourão num abadessado realizado por volta de 1850, no convento de S. Bento de Avé‑Maria, no Porto.

A tarde terminou com a sensação de que a Casa de Camilo conseguiu devolver vida a um ritual esquecido, celebrando a memória cultural dos conventos femininos e reforçando a ligação entre literatura, história e comunidade.

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