Não há em Joane santo algum que convoque os joanenses. Quem mais chama por eles ao ajuntamento celebrativo são, hoje, as festas da vila. No passado, era a Feira da Cultura, uma iniciativa do extinto CAL e cujo modelo, em boa hora, serviu de base ao anterior executivo para voltar a congregar os joanenses e que o novo deu a devida e digna continuidade. E os joanenses voltaram a responder massivamente.
São 40 os anos que já conta com o estatuto proclamado a 3 de julho. Terra de presidentes da República e de Câmara. De ministros e eurodeputados. De teatro, de padres, artistas vários e campeões desportivos.
A sondagem de que vos falo não é oficial nem tão pouco publicável, é a da convicção: ser de Joane, não é sinónimo de ser joanense e muito menos é sinónimo de ser famalicense.
A distância fronteiriça que nos separa da sede do concelho não ajuda por si só a explicar este fenómeno. O alheamento de como nos olha o poder municipal desde há décadas é a razão mais plausível para este estranho sentimento de que um joanense em sitio forasteiro nunca se apresenta como “de Famalicão”, mais depressa se diz “de Joane”.
Quem sentiu este, fim de semana, as festas da vila percebeu que há pulsar nas novas gerações.
Terra incubadora de massa crítica e de iniciativa. Por cada edificio público ou valência que tenha, o deve à luta, por vezes longa e dolorosa, das suas associações e dos seus governantes. Nada chegou a Joane ‘dado’ de mão beijada pelos citadinos sempre desconfiados. E terras há que caindo em boas graças o levam permanentemente.
Joane foi, no passado e em simultâneo, terra sede de dois jornais. O potencial assim o permitiu durante década e meia. Os soberbos donos dos orçamentos grandes trataram de os aniquilar. E Joane ficou a perder porque deixou de incomodar.
E é preciso incomodar. Quem sentiu este, fim de semana, as festas da vila percebeu que há pulsar nas novas gerações e que há sede de voltar a congregar para voltar a incomodar e exigir coisa grande para esta terra que outrora, riam-se os srs. munícipes, chegou a debater a criação de concelho autónomo. Melhor estaríamos!


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