Armindo Costa sente “imenso desconforto” e acusa Mário Passos de “enorme hipocrisia”. Foi assim que o antigo presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão, de 88 anos, que liderou o município entre 2002 e 2013 pela coligação PSD‑CDS, reagiu à recusa de Mário Passos em agendar a proposta dos vereadores do PS que pretendia homenagear Agostinho Fernandes e o próprio Armindo Costa.
A recusa obrigou o Partido Socialista a convocar uma reunião extraordinária potestativa – que o presidente da Câmara era legalmente obrigado a realizar – onde a proposta socialista acabou chumbada e substituída por outra, apresentada por Mário Passos, desvirtuando a iniciativa original e ignorando a vontade do antigo presidente da coligação PSD-CDS.
Segundo a carta de Armindo Costa, escrita e enviada antes da reunião desta sexta-feira, cujo teor o vereador Augusto Lima tornou público e o NOTÍCIAS DE FAMALICÃO teve acesso, o antigo autarca afirmou-se honrado por “o partido político derrotado nas eleições para a Câmara ter tido o gesto de, nos 50 anos do poder local, se lembrar do papel que, a par com o dr. Agostinho Fernandes, tivemos para a nossa terra”.
Ambiente político “embaraçoso”
Considerou, porém, “embaraçoso que, após 50 anos de poder local democrático, o Presidente da Câmara Municipal de Famalicão obrigue a oposição a recorrer a medidas excecionais e únicas na nossa história democrática local” para permitir a discussão da proposta.
Antes da reunião extraordinária potestativa, Armindo Costa, na carta que escreveu, avisou Mário Passos e os líderes locais do PSD e CDS de que só aceitava a proposta apresentada pelo PS, não dando o seu “consentimento a qualquer outra proposta alternativa que inclua” o seu nome. E foi taxativo: “A aceitação de uma nova proposta alternativa, nos mesmos termos ou em quaisquer outros, seria de uma enorme hipocrisia seja para quem a propõe, seja para quem a aceite.”
Apesar desta posição inequívoca, Mário Passos não só chumbou a proposta socialista como incluiu o nome de Armindo Costa numa homenagem aos cinco presidentes eleitos, sem nunca o ter consultado.
Na carta, o antigo autarca reforça que exerceu funções “com o desprendimento de quem não precisava da política para viver, e com a liberdade de quem nunca precisou dela depois”, sublinhando: “Nunca pedi, nunca pedi que pedissem para mim, nem nunca aceitei, ainda em funções, qualquer honra formal, medalha ou título da Câmara Municipal de Famalicão.”
A proposta socialista previa atribuir o nome de Agostinho Fernandes à Casa das Artes e o de Armindo Costa ao Parque da Cidade, reconhecendo o papel decisivo que ambos tiveram no desenvolvimento do concelho. Agostinho Fernandes presidiu à Câmara durante 19 anos, num período anterior à limitação legal de mandatos, e Armindo Costa durante 12.
O antigo presidente conclui lamentando que o seu “bom nome, o trabalho e as equipas que liderei” tenham sido “arrastados para a praça pública pelos partidos e pelo executivo municipal”, acusando Mário Passos de ignorar completamente a sua vontade expressa.
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