A cidade de Vila Nova de Famalicão apresenta sinais evidentes e preocupantes de abandono por parte dos vários serviços e pelouros da Câmara Municipal. Basta estar atento às notícias dos meios de comunicação e aos desabafos que os munícipes mais corajosos partilham nas redes sociais.
Casos recentes como os dos animais mortos encontrados no lago do Parque 1.º de Maio e nos jardins da Praça de Álvaro Marques, mesmo em frente ao gabinete do presidente da Câmara, são apenas a ponta de um iceberg verdadeiramente vergonhoso, tendo em conta os milhões de euros dos nossos impostos que o município tem para gerir todos os anos e as contratações de pessoal municipal, que são praticamente diárias.
A principal entrada de Vila Nova de Famalicão para quem chega de Braga ou da variante nascente apresenta atualmente um cenário verdadeiramente devastador: um conjunto urbano que, apesar de muito recente, já está marcado pela degradação, pelo abandono e por uma perda evidente de qualidade do espaço público.

Este é só mais um exemplo negativo para a imagem da cidade e para a qualidade de vida dos famalicenses e, também, vergonhoso para quem visita Vila Nova de Famalicão, nomeadamente advogados e outros quadros da justiça que frequentam o nosso tribunal.



Nos quarteirões que envolvem os hipermercados Lidl e Continente, o Tribunal e as ruas internas José Carlos Marinho e Victor Sá – área delimitada pelas ruas Carlos Vieira de Castro, Eixo Atlântico, S. Vicente, Rotunda de Santo António e Avenida Eng. António Pinheiro Braga – quase metade das árvores ornamentais de rua está morta, arrancada ou com danos irreversíveis. De acordo com uma verificação feita naquela zona, neste mês de junho, das 76 árvores ornamentais plantadas nos passeios, 31 encontram‑se destruídas (21 secas, 9 arrancadas e 1 decepada pelo tronco) o que corresponde a 40,7% do total.
A infraestruturação desta zona foi concluída no primeiro mandato de Mário Passos (2021-2025), no âmbito da expansão comercial e da duplicação da Avenida Eng. António Pinheiro Braga – obra promovida e suportada pela construtora DST, a título de contrapartidas do promotor dos espaços comerciais, que também instalou as árvores ornamentais hoje em grande parte perdidas.


A intervenção urbanística pretendia qualificar a entrada norte da cidade e criar um corredor urbano moderno, com passeios largos, arborização contínua e ligação direta aos novos espaços comerciais. Mas esse projeto urbanisticamente idílico, que daria outra imagem de Vila Nova de Famalicão, ficou comprometido pelas decisões tomadas ainda na presidência de Paulo Cunha, marcadas por uma opção clara da Câmara por grandes superfícies comerciais encostadas a um tribunal em detrimento de habitação de qualidade.
A abertura do hipermercado Lidl e do Continente (e diversas lojas-âncora de marcas da Sonae), bem como a reorganização viária associada, transformaram este eixo, outrora projetado para habitação de qualidade e espaços verdes, num dos mais movimentados da cidade. Tanto mais que os dois supermercados vieram juntar-se ao E. Leclerc, aberto no início da década de 1990. O que deveria ser uma zona‑modelo de urbanismo contemporâneo tornou‑se, poucos anos depois, um retrato visível de negligência e mau gosto municipal.


As árvores secas em pleno final da primavera são apenas um sinal notório de um problema mais profundo. Em vários canteiros, os troncos partidos ou tombados ou as árvores mortas ou já inexistentes revelam falta de manutenção, ausência de rega e inexistência de reposição das espécies perdidas. Um desprezo total pelo espaço público urbano.
Os canteiros, que deveriam acolher vegetação saudável, estão hoje tomados por ervas daninhas, lixo e resíduos diversos. Num deles, a presença de vidros partidos constitui um perigo direto para peões, crianças e animais.
A degradação é agravada pelo estacionamento ilegal de veículos pesados, apesar da sinalização clara que o proíbe. Camiões e reboques utilizam passeios e espaços que deveriam ser das árvores como áreas de parqueamento. Na Rua de José Carlos Marinho, um pequeno camião com um pneu furado está há várias semanas ou meses transformado num outdoor publicitário que ocupa dois lugares de estacionamento.


São situações de desleixo e abandono que se repetem diariamente e sem fiscalização visível, nem da PSP, muito menos da Polícia Municipal de Famalicão, recolhida nos gabinetes ou a preparar a próxima festa. A título de exemplo – e de perplexidade – até autocarros da empresa Moviave, paga pelos famalicenses, são frequentemente vistos estacionados ilegalmente na Rua do Eixo Atlântico, contribuindo para a destruição das árvores plantadas no âmbito da urbanização.
O abandono estende‑se ao espaço envolvente. Na Rua do Eixo Atlântico, o mato de um terreno contíguo ao hipermercado Lidl invade já o passeio, não faltando muito tempo para obrigar os peões a circular pela faixa de rodagem. A falta de limpeza e de controlo da vegetação reforça a perceção de desatenção municipal e de ausência de fiscalização. E tudo isto acontece no centro da cidade, a poucos metros da Casa das Artes e do Centro de Emprego. Já imaginaram aqueles artistas que Mário Passos utiliza para se promover nas fotografias? Que ideia levarão eles sobre a cidade de Vila Nova de Famalicão?


A desordem visual inclui ainda a colocação de propaganda política do Partido Comunista Português e do Chega na rotunda que dá acesso aos três hipermercados. Os cartazes foram instalados em cima do passeio, danificando o pavimento e dificultando a mobilidade pedonal. Duvido que uma pessoa em cadeira de rodas consiga circular entre o outdoor e os sinais de trânsito rodoviário.
A ocupação indevida do espaço público por estruturas de propaganda política, num local já pressionado pelo tráfego e pela degradação, contribui para um ambiente urbano ainda mais caótico. Tudo isto com a cumplicidade dos serviços municipais e do seu presidente, Mário Passos, o responsável-mor de uma urbe que já foi bonita…

O conjunto destes elementos – árvores mortas, canteiros abandonados, estacionamento abusivo, mato a invadir passeios e propaganda política instalada ilegalmente – transforma a principal entrada de Famalicão num cenário de abandono que contrasta com a importância estratégica da zona. A urbanização recente, que deveria ser um exemplo de qualificação urbana, tornou‑se num caso evidente de falta de manutenção, ausência de fiscalização e desvalorização do espaço público.
A situação exige uma intervenção urgente para devolver dignidade a uma das áreas mais visíveis e mais movimentadas do concelho, sob pena de a entrada da cidade continuar a transmitir uma imagem de desleixo incompatível com a ambição urbana de Vila Nova de Famalicão e dos famalicenses.


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