A Associação Dar as Mãos nasceram da vontade de cidadãos que recusaram ficar indiferentes perante as dificuldades dos outros. Entre os seus fundadores destacou-se Agostinho Fernandes, homem de reflexão e sensibilidade social, e encontrou no coronel Bacelar Ferreira uma liderança firme e dedicada que marcou profundamente a vida da instituição.
A sua existência assenta numa ideia simples, mas poderosa nenhuma comunidade é verdadeiramente desenvolvida se esquecer aqueles que, por diferentes razões, não conseguem enfrentar sozinhos os desafios da vida. Ao longo do seu percurso, a associação procurou estar ao lado dos mais vulneráveis, levando apoio, esperança e dignidade a quem mais precisava.
O texto de Agostinho Fernandes, escrito para assinalar um aniversário da instituição, conserva uma notável atualidade. Nele encontramos uma reflexão sobre as desigualdades que persistem numa sociedade que se orgulha do progresso, mas onde continuam a existir pobreza, exclusão, solidão e dificuldades que afetam muitas pessoas.
A realidade demonstra que nem todos dispõem das mesmas oportunidades. Existem cidadãos que, por limitações físicas, psicológicas ou sociais, encontram enormes obstáculos para ingressar ou permanecer no mundo do trabalho. Outros enfrentam circunstâncias de vida que os colocam numa posição de fragilidade. Para muitos deles, o apoio de uma instituição solidária pode representar a diferença entre a exclusão e a integração, entre o desânimo e a esperança.
A Dar as Mãos compreendeu desde cedo esta realidade. Mais do que distribuir ajuda material, procurou criar proximidade humana, ouvir, acompanhar e encontrar respostas para situações concretas. O seu trabalho nunca se limitou à assistência; foi também uma afirmação permanente da dignidade da pessoa humana.
Num concelho conhecido pelo seu dinamismo económico e pela sua capacidade empreendedora, importa recordar que o desenvolvimento não pode ser avaliado apenas pelos indicadores de crescimento ou pela riqueza produzida. A verdadeira medida de uma comunidade encontra-se na forma como trata aqueles que mais necessitam de proteção e apoio.
O coronel Bacelar Ferreira dedicou grande parte da sua vida a esta causa. Sob a sua orientação, a associação consolidou-se como uma referência de solidariedade, mobilizando voluntários, beneméritos e instituições em torno de um objetivo comum: não deixar ninguém para trás.
Por sua vez, Agostinho Fernandes deixou-nos uma mensagem que merece ser recordada. A sua reflexão sobre a desigualdade e a condição humana continua a interpelar-nos. Num mundo onde coexistem riqueza e carência, abundância e privação, permanece atual a obrigação moral de olhar para os outros não como números ou estatísticas, mas como pessoas.
A existência de instituições como a Dar as Mãos demonstra que a solidariedade continua a ser indispensável. Nenhum sistema, por mais organizado que seja, substitui a atenção próxima, a disponibilidade dos voluntários e a capacidade de compreender as necessidades concretas de quem sofre.
A comunidade famalicense tem razões para reconhecer o valor desta obra. Não apenas pelo auxílio prestado aos menos favorecidos, mas também pelo exemplo que representa. A sua ação lembra-nos que o progresso só faz sentido quando inclui todos e que a força de uma sociedade se mede pela forma como protege os seus membros mais frágeis.
Num tempo marcado pelo individualismo e pela indiferença, a Dar as Mãos continua a recordar uma verdade essencial: ninguém constrói uma comunidade sozinho. E haverá sempre lugar para quem esteja disposto a estender a mão a quem dela precisa.


Comentários