Os eleitos do Partido Socialista (PS) na Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão votaram contra o Relatório de Gestão e Documentos de Prestação de Contas de 2025, por considerarem que o documento confirma uma gestão que penaliza o rendimento das famílias e revela incapacidade operacional.
A decisão baseia-se “na degradação da situação financeira do município, marcada por um resultado líquido negativo num período em que a carga fiscal sobre os munícipes atingiu valores históricos”.
Neste ponto, o PS destaca que, apesar de um aumento de 14% na cobrança de impostos, taxas e contribuições, o município encerrou o exercício de 2025 com um prejuízo de quase três milhões de euros, o que contrasta com o lucro de sete milhões de euros registado no ano anterior.
Para os socialistas, este cenário evidencia uma gestão ineficiente que não consegue controlar a despesa corrente, assinalando-se um aumento de seis milhões de euros na aquisição de bens e serviços e de cinco milhões de euros em gastos com pessoal.
“CONFISSÃO DE INCOMPETÊNCIA”
A análise detalhada à execução orçamental revela o que o PS classifica como uma “política da miragem”, em que os grandes investimentos anunciados ficam sistematicamente por concretizar. Dos cerca de 167 milhões de euros previstos no Plano Plurianual de Investimentos para 2025, o executivo apenas executou 78,5 milhões, o que representa menos de metade do valor orçamentado. “Esta incapacidade reflete-se também na perda de fundos do PRR para a construção de 60 habitações e no risco iminente de perda de verbas destinadas às unidades de saúde de cuidados primários”, afirmam os vereadores socialistas.
Eduardo Oliveira, presidente da Comissão Política do PS de Vila Nova de Famalicão, afirma que este relatório é o espelho de um executivo que “esconde a mão municipal no bolso dos famalicenses e repete a confissão de incompetência”.
Sublinha ainda que “é inaceitável que, num ano de cobrança fiscal recorde e com transferências do Estado a atingir os 60 milhões de euros, a Câmara apresente um resultado negativo e continue a sufocar o orçamento das famílias, recusando-se a devolver os sete milhões de euros de IRS que o PS propôs que fossem entregues aos cidadãos”.
Os eleitos do PS criticam ainda “a falta de rigor na gestão dos recursos, apontando o crescimento do despesismo e a ausência de uma estratégia que promova a qualidade de vida no concelho”. Segundo a estrutura socialista, o equilíbrio orçamental tem sido garantido apenas através do aumento da receita corrente à custa dos impostos pagos pelos munícipes, “disfarçando a ineficiência dos serviços municipais e a falta de visão de futuro” para Vila Nova de Famalicão.
SOCIALISTAS CRITICAM O “DESPERDÍCIO”
Com este voto contra, o PS de Vila Nova de Famalicão reafirma a necessidade de uma gestão mais racional e transparente, que privilegie o investimento produtivo e a redução da carga fiscal. Os eleitos socialistas reiteram que não podem caucionar uma forma de gerir que privilegia a “conversa vazia” e o desperdício em detrimento da concretização de projetos estruturantes para o desenvolvimento social e económico da comunidade famalicense.
“No fundo”, segundo Eduardo Oliveira, é “incompreensível que se continue a retirar tanto dinheiro às famílias famalicenses através de impostos, taxas e tarifas para depois se gastar de forma disparatada, especialmente quando bem sabemos pela comunicação social e sentimos os constantes aumentos do cabaz alimentar, dos bens essenciais e dos combustíveis. Com a coligação PSD/PP podemos dizer que os impostos, taxas e tarifas sobem pelo elevador e os apoios às pessoas vão pelas escadas”.


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