Braga é o único distrito do país com disputa nas urnas este sábado

Militantes social-democratas escolhem entre a continuidade do famalicense Paulo Cunha e a renovação proposta por Carlos Reis. É a primeira vez em 25 anos que a Distrital de Braga vai a votos com mais do que uma lista.

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Este sábado, 28 de fevereiro, as atenções do Partido Social Democrata (PSD) a nível nacional estarão viradas para o distrito de Braga. Enquanto no resto do país as eleições para as comissões políticas distritais decorrem num ambiente de lista única e consenso, Braga assume-se como a única exceção em todo o território nacional, apresentando dois candidatos à liderança.

O duelo coloca frente a frente duas figuras de peso no xadrez político regional e nacional: o famalicense Paulo Cunha, atual presidente da Distrital e eurodeputado, e Carlos Reis, vereador na Câmara de Barcelos e ex-deputado à Assembleia da República.

UM INTERREGNO DE 25 ANOS SEM DISPUTA

A ida às urnas este sábado reveste-se de um caráter histórico para a estrutura de Braga, uma das maiores e mais influentes do país. Há um quarto de século que os militantes do distrito não eram chamados a escolher entre duas alternativas, uma vez que o partido tinha habitualmente convergido em soluções de unidade.

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Paulo Cunha, que liderou a Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão entre 2013 e 2021, procura a reeleição à frente da Distrital, órgão que presidiu pela primeira vez em 2010. O atual vice-presidente do PSD e deputado ao Parlamento Europeu apresenta-se como o rosto da “continuidade”, considerando que a sua candidatura é uma resposta ao “compromisso com o território”.

Do outro lado da barricada surge Carlos Reis. O atual vereador em Barcelos e antigo líder da JSD Distrital apresenta-se com um discurso focado na “reorganização” e na necessidade de dar um novo fôlego à estrutura. Carlos Reis tem protagonizado uma campanha incisiva, marcada por críticas ao atual modelo de gestão e pela defesa de uma maior proximidade às bases e às concelhias menos centrais.

FAMALICÃO NO CENTRO DA DECISÃO

Os votos dos militantes de Famalicão, a maior concelhia do país, são muito importantes para o desfecho eleitoral. É por isso nos últimos dias muitos militantes têm comentado estarem a ser contactados pelas campanhas de ambos os candidatos. Desengana-se quem acha que Famalicão são favas contadas para Paulo Cunha. Os tempos dourados do antigo presidente da autarquia fazem parte do passado.

Recorde-se que nas eleições que, em setembro de 2024, os famalicenses reelegeram Luís Montenegro como presidente do PSD com 95% dos votos, enquanto Paulo Cunha não conseguiu entre os militantes de Famalicão mais do que 66,26% de votos válidos [ver notícia Militantes do PSD-Famalicão mostram “cartão amarelo” a Paulo Cunha nas eleições distritais].

Meses antes (março de 2024), Paulo Cunha sofreu uma forte derrota “em casa”. A candidatura de Sofia Fernandes à concelhia de Famalicão derrotou com vantagem esmagadora a lista liderada pelo presidente da Câmara Municipal, Mário Passos, candidato à  presidência da comissão política, e que tinha a seu lado o ex-presidente Paulo Cunha, que era candidato à mesa do plenário (a assembleia geral local do partido) [ver notícia Sofia Fernandes vence Mário Passos e Paulo Cunha e conquista PSD-Famalicão com vantagem esmagadora].

Militantes próximos a Paulo Cunha atacam a candidatura de Carlos Reis com a ligação do candidato ao processo Tutti-Fruti. No entanto, ao trazer o tema à discussão, abrem espaço para que opositores de Paulo Cunha também coloquem em cima da mesa investigações em curso onde o ex-autarca é um dos visados, como casos de suspeitas de favorecimento e corrupção na Câmara de Famalicão.

O resultado do ato eleitoral, que deverá ser conhecido ao início da noite de sábado, ditará o rumo de uma das distritais mais decisivas para o futuro eleitoral do PSD.

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