Março, o pesadelo verde 

Março deveria representar uma oportunidade de reflexão, reforço e elaboração de estratégias públicas locais.

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O mês de março é rico em datas comemorativas e que têm, cada vez mais, um significado relevante na sua celebração, tais são os desafios a si associados.

Recordemos o calendário: 1 – Dia Mundial das Ervas Marinhas; 3 – Dia Mundial da Vida Selvagem; 8 – Dia Internacional da Mulher; 20 – Dia Mundial da Agricultura; 21 – Dia Mundial dos Glaciares; 21 – Dia Internacional das Florestas; 22 – Dia Mundial da Água; 28 – Hora do Planeta; 30 – Dia Internacional de Lixo Zero.

Para qualquer ambientalista, ou cidadão minimamente preocupado com o meio que o rodeia, todas as iniciativas que se levem a cabo para recordar a importância das datas são sempre escassas, tal a dimensão dos problemas quer ambientais, quer sociais.

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Contudo, nenhumas dúvidas me restam, ao ver tal calendário, que um conjunto tão denso de datas dedicadas ao ambiente, à sustentabilidade e até à justiça social, deve causar verdadeira alergia política ao poder local.

Vejamos as seguintes declarações do Presidente Mário Passos:  “O cultivo da terra em ambiente urbano é uma ferramenta poderosa para a saúde mental, para o envelhecimento ativo e para a integração dos cidadãos”.

Falar do que já existe é fácil. O desafio é criar projetos de continuidade. A meta deveria ser aumentar o número de hortas urbanas e comunitárias e ampliar o projeto às freguesias.

Fala de “agricultura sustentável que coloca as pessoas no centro”, é fácil! O problema é quando se compactua com a destruição de solo fértil para dar lugar ao betão, ou para abrir novas estradas e criar novos polos industriais, como é o caso de Landim.

Dizer que a comunidade está empenhada para “criar um território mais sustentável, ecológico e preparado para os desafios do futuro”, é óbvio!

O que fica difícil de justificar é o constante ignorar de alertas, contributos e propostas que a mesma apresenta para a proteção da nossa floresta, e, ao invés, prefere-se promover a destruição de reserva ecológica nacional.

Falar de poupança de água ou de práticas “lixo zero” é básico!

Mas quando olhamos para o Pelhe, o Pele e todos os ribeiros e riachos poluídos do nosso concelho, nos gastos com as perdas de água, ou, nas montanhas de lixo espalhadas pelas freguesias, na falta de políticas de promoção de redução do consumo e resíduos é, na falta de melhor palavra, ridículo.

Como ambientalista, e cidadã, não subscrevo este tipo de propaganda institucional vazia de intenção. São estas posições e contrassensos que deveriam ser questionados, e mais, responsabilizados.

Na era de um dos maiores desafios da humanidade – as alterações climáticas –, associado aos contextos de guerra, que como todos sabemos impacta direta e indiretamente a nossa estabilidade financeira, continuar a governar com base em declarações “fofinhas”, e que ficam bem no “papel digital”, é revelar uma dificuldade persistente em reconhecer que o ambiente, assim como o desenvolvimento e a emancipação social, e, especialmente os direitos humanos conexos, não são um acessório de lapela.

Março, que deveria representar uma oportunidade de reflexão, reforço e elaboração de estratégias públicas locais, de cariz ambiental, e não só, lembra tudo aquilo que está em falta: políticas integradas, compromisso ambiental sério, participação cidadã, transparência e coerência nas decisões.

Março representa um verdadeiro “pesadelo verde” para quem encara o ambiente como entrave mais do que como prioridade.

 

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