Colaboração entre universidades e empresas: para uma economia mais eficiente

A relação deve ser voluntária, sem qualquer tipo de intervenção estatal direta, mutuamente benéfica e baseada em contratos e parcerias livres. O Estado deve atuar como regulador mínimo.

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A relação entre universidades e empresas deve ser estruturada de forma a maximizar a eficiência, a inovação e a liberdade de iniciativa, com o Estado a assumir um papel limitado e facilitador — não controlador. As universidades e as empresas colaboram porque é do interesse de ambas e do interesse nacional, não devendo essa colaboração ser uma imposição estatal.

As universidades são vistas como produtoras de conhecimento e capital humano e devem ter autonomia e liberdade para definir currículos, investigação e parcerias, bem como para criar cursos mais ligados às necessidades reais do mercado de trabalho. O conhecimento adquirido ganha valor quando pode ser utilizado economicamente e contribuir para o desenvolvimento da sociedade.

As empresas funcionam como motor da inovação e da aplicação prática do conhecimento adquirido nas universidades. Devem procurar as universidades para recrutar talento, desenvolver investigação conjunta e financiar projetos com finalidade comercial, de forma a incentivar o lucro e a competitividade.

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A relação deve ser voluntária, sem qualquer tipo de intervenção estatal direta, mutuamente benéfica e baseada em contratos e parcerias livres. Por exemplo, através da criação de centros de investigação financiados por empresas.

O Estado deve atuar como regulador mínimo. Deve garantir os direitos de propriedade intelectual e assegurar uma concorrência justa. Pode também conceder incentivos fiscais e apoiar a inovação (sem controlar diretamente). Com esta parceria, há maior inovação tecnológica, uma formação mais ajustada ao mercado de trabalho e crescimento económico.

Há países onde este modelo resulta bem, como o Reino Unido e a Suíça. No Reino Unido, universidades como a University of Oxford ou a University of Cambridge têm uma forte ligação às empresas, que financiam projetos e recrutam diretamente. Por exemplo, a relação entre a University of Cambridge e o “Silicon Fen”: a universidade criou um ecossistema de inovação com esse nome, onde professores e alunos fundam start-ups com base na investigação académica realizada. As empresas privadas investem diretamente nesses projetos. A empresa ARM Holdings nasceu de investigação ligada à universidade e é hoje uma das maiores empresas de chips do mundo.

No caso da Suíça, trata-se de um dos sistemas mais orientados para a inovação e o mercado. Existe uma forte colaboração entre universidades e empresas privadas. Por exemplo, a ETH Zurich, uma das universidades mais ligadas ao setor privado na Europa, incentiva fortemente estudantes e investigadores a criarem empresas e colabora com empresas como a Google e a IBM.

No contexto da saúde, este modelo permitiria um desenvolvimento mais rápido de medicamentos, uma forte inovação tecnológica e mais investimento privado em investigação.

No contexto português, as universidades devem ter autonomia plena (científica, financeira e administrativa). Devem poder criar parcerias livremente com empresas, definir propinas, cursos e projetos de investigação conforme a procura e focar-se na transferência de conhecimento para o mercado. Ou seja, menos dependência do Estado e maior ligação à economia real. O Estado deve regular e criar condições que garantam a concorrência entre instituições e a proteção da propriedade intelectual.

 

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