Corrupção e esquemas de negócios nos Bombeiros Famalicenses na mira da PJ

Polícia Judiciária faz buscas para recolher provas relacionadas com a gestão do comando de Bruno Alves e as ligações financeiras entre dirigentes dos bombeiros e empresas de familiares.

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O quartel da Real Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários Famalicenses foi, esta terça-feira, o alvo de uma operação da Polícia Judiciária (PJ) de Braga. Os inspetores chegaram às instalações no início da manhã e permaneceram até à tarde, tendo apreendido diversa documentação como elementos de prova.

Na mira da PJ estão suspeitas dos crimes de corrupção, peculato, preenchimento de escalas com “elementos fantasma” e favorecimento de empresas ligadas a dirigentes da instituição, num esquema de negócios que as autoridades estão a investigar, após denúncias recebidas.

“ESCALAS FANTASMA” E DESVIO DE FUNDOS

Segundo fontes próximas do processo, a investigação incide sobre a gestão do comandante Bruno Alves, que assumiu o comando da corporação em 2014. Um dos pontos centrais da investigação prende-se com o preenchimento das escalas das Equipas de Combate a Incêndios Rurais (ECIN). Suspeita-se que tenham sido registados nomes de bombeiros que não estariam em serviço – os chamados “elementos fantasma” – com o objetivo de captar indevidamente verbas do Estado destinadas ao Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais (DECIR).

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Além das irregularidades nas escalas, as autoridades investigam donativos monetários efetuados pela associação a uma rádio local e a um colégio particular, entidades que estão diretamente ligadas ao presidente da direção na altura, o arquiteto António Meireles, e à sua mulher.

O “ESQUEMA” DO SUPERMERCADO

Um dos relatos mais detalhados que terá chegado ao Ministério Público, através de uma denúncia anónima em 2024, aponta para um alegado esquema de proveito próprio que envolve o setor desportivo e cultural da corporação. A partir de 2020, com a aquisição de um supermercado em A-Ver-o-Mar, por parte da mulher de Bruno Alves, a atividade festiva dos bombeiros terá sofrido um incremento invulgar de 200%.

“A estratégia passaria por organizar o máximo de eventos possíveis – desde sunsets e festas da francesinha a participações nas Marchas Antoninas – para garantir o escoamento de produtos do supermercado da esposa do comandante”, refere uma denúncia a que o nosso jornal teve acesso.

Documentos agora na posse das autoridades indicam que, entre dezembro de 2023 e abril de 2024, a corporação acumulou uma dívida de cerca de 17 mil euros para com o referido supermercado, um valor considerado exorbitante para meses de baixa atividade festiva. Estima-se que nos meses de verão de 2024, época de maior volume de eventos, os valores envolvidos sejam significativamente superiores.

A investigação levanta ainda questões sobre a missão operacional da corporação. Nos anos de 2023 e 2024, o número de atividades lúdicas e de angariação de fundos terá sido três vezes superior aos momentos de formação interna dos bombeiros, gerando mal-estar no seio da corporação e levantando dúvidas sobre as prioridades da atual estrutura de comando.

“Este é o momento para a autoridade (PJ) investigar. A única coisa que me cabe dizer é que estou completamente disponível para prestar os esclarecimentos que acharem como necessários”, afirmou António Meireles ao NOTÍCIAS DE FAMALICÃO. O nosso jornal também contactou Bruno Alves, mas, até ao momento, não obtivemos resposta.

DIREÇÃO REAGE EM COMUNICADO

Na manhã desta quarta-feira, a Associação Humanitária dos Bombeiros Famalicenses publcou um comunicado nas redes sociais, informando a população que foi alvo de diligências por parte da Polícia Judiciária, na sequência de uma denúncia anónima relacionada com factos reportados até 2025.
“Desde o primeiro momento, foi prestada total colaboração às autoridades, reafirmando-se a inteira disponibilidade para continuar a contribuir para o completo esclarecimento da situação”, afirma a instituição, sublinhando que “esta situação não compromete, em momento algum, o normal funcionamento da corporação. Todos os serviços operacionais mantêm-se ativos e a resposta à população está plenamente assegurada”.

BRUNO ALVES VISADO EM TARJAS

Recorde-se que, em junho do ano passado, foram colocadas tarjas em várias rotundas do concelho a pedir a demissão de Bruno Alves. Numa das tarjas, que que estava colocada em frente ao quartel dos BV Famalicenses, estava escrito: “Chega de corrupção, rua comandante Bruno”.

As tarjas terão sido colocadas por bombeiros descontentes com as alegadas situações de ilegalidade relacionadas com as buscas realizadas ontem pela PJ.

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