“Então saímos para esquecer todos os problemas
Então nós dançamos”
Alors On Danse – Stromae
Quatro palcos e mais uma noite de folia. Nos anos 90, não havia palcos e a festa fazia-se com a mesma vontade. A quem serve o palco?
A cidade passou a ser um centro de eventos: o Natal e a roda Gigante, as Antoninas e os artistas do momento, a Feira do Artesanato, que já foi gastronómica, mas que nunca se soube diferenciar.
Quantos milhões gastos todos os anos? E nos anos quadrissexto, às portas das eleições, quantos mais?
Há quem defenda que as sociedades decadentes foram, e são, as mais suscetíveis ao supérfluo e à exibição. O circo no Coliseu romano, na sombra da queda do Império, os Moai gigantes da ilha da Páscoa, numa terra sem árvores para construir canoas e perdida nos confins do Oceano Pacífico, as exuberantes cidades Maias que esgotaram todos os recursos naturais, extinguindo-se por si mesmas e comidas pela selva, ou o bacanal Nazi, enquanto Berlim caía, perante o exército soviético, que içava a Foice e o Martelo no alto da escombreira do Reichstag.
Os rituais, a festa, a música, as danças fazem parte da argamassa de uma sociedade saudável. O Carnaval serve (ou servia) para satirizar o standard social, o Natal e os Santos para marcar a passagem das estações (os solstícios) e muitos casamentos nasceram em bailaricos. Nada contra. O problema é instrumentalizar a festa para a autopromoção e criar um clima de embriaguez que nos distrai das questões que também importam.
Na 3.º temporada da série Stranger Things, da Netflix, a cidade de Hawkins é governada por um Mayor (presidente da câmara) vaidoso e vendido aos interesses. O comércio da cidade definha, enquanto o shopping Starcourt, recentemente inaugurado, prospera, com a cumplicidade do Mayor. Os comerciantes revoltam-se, o ambiente aquece, o Mayor leva uns tabefes, mas segue em frente. Para apaziguar os ânimos, o Mayor decide organizar uma feira popular, com roda Gigante, montes de divertimentos e comes e bebes.
Inspirador?
Não subestimemos a cultura Pop. Ela ensina-nos muita coisa.
No entretanto, de Coimbra a Alcácer do Sal, passando por Leiria, já se fala que o melhor é gastar menos em festas a favor de um fundo de crise, para responder a futuros desastres naturais. A ideia não é original, por cá até tivemos uma força política que a apresentou. Infelizmente não foi tema na campanha.
Governar um município não é fogo de artifício, é um compromisso com o bem-estar da população, de hoje e do futuro, talvez, assim diria Salvador Sobral.
E se a escolha coubesse a um de nós?
E se a escolha tivesse um único propósito, o bem-comum.
Onde aplicavas o teu dinheiro?
(Podes responder na caixa de comentários.)
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