Já não escrevo há alguns meses, pelo que aproveito para pedir desculpa aos leitores e à diretora do Notícias de Famalicão. Em minha defesa, digo que após uns meses cansativos de campanha autárquica intensa (e com presidenciais de seguida), as outras áreas da vida ficaram prejudicadas e tive de recuperar o atraso. Prometo ser mais constante na escrita nos próximos tempos.
NOVA DINÂMICA AUTÁRQUICA
Pode parecer que nada mudou, após mais uma maioria da coligação PSD-CDS, mas vou notando algumas diferenças. Por exemplo, nas últimas semanas a Iniciativa Liberal lançou um alerta sobre o estado em que se encontram alguns dos nossos parques infantis, que, fruto de desleixo na manutenção ou das tempestades do último inverno, carecem de investimento.
Foi engraçado ver a reação da equipa de comunicação de Mário Passos, promovendo rapidamente a inauguração da remodelação de um parque infantil em Brufe. E imaginem que uma das deficiências que apontámos já foi corrigida, ou seja, já fizemos algumas crianças sorrir…
Deu para perceber que também eles sabem quem é a força política que, para muitos dos seus eleitores, é a segunda escolha, como bem Cotrim de Figueiredo demonstrou. Sei até que muitos destes eleitores acreditam que fazemos falta dentro da coligação, mas, convenhamos, será difícil engolir algumas coisas… Um pequeno exemplo é a conferência que se realizará a 29/04 na Casa das Artes, que revela muito sobre a forma de pensar de quem nos dirige.
Imaginem que surgiu a ideia de realizar uma conferência em Famalicão, dedicando esse evento a um setor como a Defesa, em que temos pouca especialização. Qual seria a motivação para tal?
É só ver o cartaz! De uma penada, ajudamos duas instituições em risco de falência (grupo Imprensa, materialmente, e CDS-PP, imaterialmente), os contribuintes pagam pouco mais de 19 mil euros para que tal aconteça e siga colocar as fotos dos “senhores” de Famalicão no Expresso…
O custo não é tão relevante como o da estátua aos bombeiros de Famalicão ou do pseudojornal “efe”, mas é bastante revelador da forma de pensar a coisa pública. Essa sempre nos afastou e, muito provavelmente, continuará a afastar!
O MUNDO MUDOU E MONTENEGRO NÃO PERCEBEU
Não costumo escrever por aqui sobre temas nacionais ou internacionais, mas vai ter de ser. Todos os que se dirigiram a uma bomba de gasolina perceberam que o mundo mudou. As bombas, mísseis e drones não caem por cá, mas os efeitos são globais, sendo que, mais do que culpados, é preciso procurar falar verdade às pessoas.
Sou um tipo da estatística e a probabilidade de virmos a enfrentar uma crise global significativa é cada vez maior, o que, com a nossa economia presa por arames e com problemas estruturais, não é um bom cenário. Assim, tudo o que não precisamos é de ser dirigidos por uma avestruz, que decide enfiar a cabeça na areia e ignorar o que se passa à sua volta.
Também é verdade que não há soluções milagrosas, não é por reduzir uns cêntimos no ISP que se vai fazer grande diferença, sendo que alertar as pessoas é não só cada vez mais necessário como inevitável.
Cada um deve olhar para o seu orçamento e ver de que despesas pode prescindir, com especial enfoque para os muitos que, a reboque de uma política errada de incentivo ao endividamento, optaram por comprar casas caras e no limite do esforço que conseguem aguentar.
Os juros vão subir e, com eles, as prestações, sejam da casa, do carro ou dos terríveis cartões de crédito, porque o mundo em que vivemos está mais arriscado e ficará mais caro viver nele. Travar agora e analisar detalhadamente o nosso orçamento doméstico vai fazer a diferença no grau de dificuldades que vamos enfrentar. Será certamente melhor prevenir do que remediar.
Espero sinceramente que esta minha previsão falhe redondamente, pois infelizmente não vivo no país de sonho que Luís Montenegro nos quer pintar. Como o agora reformado Warren Buffett sempre disse, é nas crises que se assiste à descida da maré e se vê quem foi nadar nu!
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