Uma mensagem anónima, redigida sob a forma de denúncia e partilhada em vários grupos de WhatsApp – incluindo, segundo relatos recebidos pelo NOTÍCIAS DE FAMALICÃO, grupos de encarregados de educação –, descreve uma alegada degradação da segurança na zona do Parque da Juventude, na cidade de Vila Nova de Famalicão, particularmente junto aos edifícios Milénio e Sagres.
O texto, cujo autor não se identifica “por receio de represálias”, enumera um conjunto de queixas: aumento do consumo e venda de estupefacientes “em plena luz do dia”; desacatos entre grupos rivais, sobretudo durante a noite e madrugada; assaltos a garagens que, segundo a mensagem, não são participados às autoridades por medo; circulação de motos elétricas e trotinetas a alta velocidade em zonas pedonais junto às entradas dos prédios; e ruído noturno prolongado, incluindo junto às tabelas de basquetebol da zona.
A mensagem acusa ainda a Câmara Municipal de recusar reunir com representantes dos condomínios, apesar de pedidos que, de acordo com o texto, se arrastam há “vários meses”. Refere também que a polícia é chamada com frequência mas “nem sempre comparece”, citando um episódio, não datado, em que agentes terão dito não enviar “2 ou 3” polícias para um desacato com cerca de 30 pessoas.
Um dos pontos mais sensíveis da mensagem é a atribuição a Mário Passos, presidente da Câmara, de uma frase que o autor da denúncia diz ter ouvido “a terceiros” – “todas as cidades têm um gueto” –, alegadamente dita a propósito da zona em causa, que é também, segundo a mensagem, a área da cidade com maior concentração de escolas.
Resposta do presidente da Câmara
Depois de a mensagem começar a circular com maior intensidade, Mário Passos reagiu publicamente nas redes sociais. Nessa resposta, o autarca começa por negar categoricamente ter proferido a frase que lhe é atribuída: “quero começar por deixar bem claro que é totalmente falso que, em momento algum, tenha proferido tal afirmação.”
Mário Passos lamenta ainda a “disseminação e partilha de mensagens” que, no seu entender, transmitem a ideia de uma autarquia que “ignora e assobia para o lado” perante as preocupações dos famalicenses, classificando essa narrativa como “desinformação” que “não contribui para a resolução dos problemas” e “apenas gera alarme e desconfiança”.
O presidente da Câmara assegura, por fim, que o município “tem trabalhado e analisado esta situação” em articulação com as forças de segurança do concelho, sem no entanto detalhar, nesta resposta, que medidas concretas estão a ser equacionadas para a zona do Parque da Juventude.


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